Santa Carona

Sobre o silêncio

Ao contemplar o presépio no meio de uma festa barulhenta e agitada, percebi o sagrado do silêncio. Aquele menino deitado em uma manjedoura, que nasceu no silêncio de uma noite fria, porque no silêncio da oração de uma virgem humilde, um anjo desceu trazendo uma mensagem ao mundo. E foi no silêncio dessa visita que Deus revelou o seu magnífico segredo aos homens.

E no silêncio daquela noite os magos adoraram, porque na quietude de seus estudos perceberam, repito, eles perceberam um brilho novo. E deixaram-se guiar por esse lampejo.

E no silêncio dessa noite fria, estática, quieta, foi que os pastores ouviram o cântico celeste. Gloria in excelsis Deo, diziam os anjos, porque nasceu o Salvador. E puseram-se a caminho, louvando a Deus por ter-lhes concedido a graça de adorar o menino, de escolher tão pobres criaturas, apenas porque guardavam o silêncio.

Silêncio é sossego. O sossego do estábulo pobre e sujo, que, numa noite ordinária, dava lugar a um acontecimento extraordinário, guardado em sua sacralidade pelo silêncio. Era preciso silenciar para perceber que aquela modesta família era nada menos que a família do próprio Deus. É no silenciar da alma que Deus nos revela os seus maiores segredos.

E é no silêncio deste momento que Ele quer falar, agora, mais uma vez.

Gabriela Letícia

Concurseira militar, ama ler, escrever e fotografar. Chegada de Nossa Senhora de Lourdes e apaixonada por Jesus.

1 comment

Enter Captcha Here : *

Reload Image