Um ano de mudanças

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Pelo que andei ouvindo de alguns amigos, 2017 será um ano de mudanças. Não sei se para você também é esse o caso, mas para mim é, e de mudanças drásticas. Como ninguém é de ferro, vou usar a coluna para desabafar um pouquinho (K2 não me mate).

Tal como está na descrição, eu sou concurseira militar. Existe um tempo para plantar e para colher. Meu 2016 foi tempo de plantar, e agora chegou a colheita. Estudei bastante, e consegui o meu objetivo. Provavelmente daqui duas semanas estarei em São Paulo, longe da família, dos amigos, do namorado, de todos que eu amo. Num lugar distante, com pessoas desconhecidas e não tão amistosas para me receber… Mas por outro lado, eu sei que é lá onde Deus me quer, e isso me basta ter a paz necessária.

Sei que vou sofrer bastante, e essa foi a minha escolha. Mas o importante é saber sofrer. Essa é a diferença entre nós e o resto das pessoas. Nosso sofrimento pode ter um sentido, se soubermos uni-lo ao sofrimento de Cristo, para nossa própria santificação, pela salvação das almas e para nos forjar como pessoa humana. Enquanto que o restante, com muita dificuldade, sofre em vão e, quando muito, consegue aumentar as virtudes humanas.

Não adianta esperar que o ano que chega será cheio de alegrias, realizações e tranquilidade. Não. Logo chegarão as contrariedades, as coisas não sairão como planejado, vem o cansaço, os planos atrasam, a nota não é tão alta… E justamente aqui é que temos a oportunidade de crescer na virtude e no amor. E o que é a santidade senão crescer no amor? Oferecendo uma pequena contrariedade, vencendo o cansaço e estudando mais uma hora, trocando a preguiça de acordar pelo minuto heroico, dedicando tempo de qualidade para a família e os amigos, reservando um tempo para a oração que tem sido tão falha…

São Josemaria Escrivá proferiu uma homilia intitulada O tesouro do tempo. Nela, somos convidados a refletir no tempo sob uma perspectiva cristã. Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, diz a letra da música. E assim ele corre, num fluxo incomensurável. Para começar bem este ano, vale a pena lembrar que os nossos dias na Terra são contados. E cada um deles foi previsto por Deus, que deseja que multipliquemos os nossos talentos. Não podemos parar o relógio do  tempo, e tampouco voltar atrás. O que está ao nosso alcance é aproveitar bem a vida que nos foi concedida.

O tempo é um intervalo entro o começo e o fim. Chegada a morte, acabaram-se as chances que Deus nos dá de escolher o Céu. Então Ele nos pedirá contas de todos os nossos minutos. Será que passamos a vida nos importando apenas com as coisas terrenas, ou demos um sentido de eternidade àquilo que fizemos? Será que fomos generosos para com Deus e o próximo, ou desperdiçamos a dádiva do tempo com amiúdes? São Clemente de Roma disse certa vez que o caminho de Deus não deixa remorso. Assim, a nossa vida só adquire valor e sentido se a passarmos servindo a Deus.

No livro Razões para Crer do Scott Hahn, quando este argumenta à favor de Deus e sua existência, diz o seguinte: “Pascal considera a existência de Deus em termos de uma aposta: ou Deus existe ou Ele não existe. ‘Vamos apostar o ganho e a perda envolvidos na hipótese de que Deus existe. Avaliamos esta questão e poderemos concluir que, se você ganhar, ganha tudo; se perder, não perde nada. Então, não hesite; aposte que Ele existe’ “.  É uma teoria até convincente, mas convenhamos, uma aposta de vida ” sem existência de Deus” é o mesmo que perder tudo!

Como eu disse no começo do texto, lembre-se de uma coisa quando perceber que nem tudo está dando certo: podemos perder uma batalha, mas não podemos hesitar em perder a guerra! “Vive de Amor e vencerás sempre – ainda que sejas vencido – nas Navas e Lepantos da tua luta interior” (ponto 433, Caminho).

O que Deus espera de você neste momento, neste ano que se inicia? Que solidifique o que começou em 2016? Que tome novas direções? Onde deve estar?

 

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