Santa Carona

Um olhar intrauterino

Desde muito novas, nós mulheres temos um instinto maternal… o querer cuidar, preocupar-se, já nos indica um caminho para a maternidade, mesmo que no futuro optemos por outra vocação.

Ser mãe é uma graça tão grande na vida de uma mulher… pensar que há uma vida crescendo dentro dela, totalmente dependente dos seus cuidados, carinho e amor. Penso tanto nisso, como deve ser, como será, ter um ser com seu sangue, seus olhos… um ser tão frágil, tão pequeno. Ao mesmo tempo, penso em como pode existir pessoas que desprezem a maternidade, que não respeitam esse dom de Deus, que vão contra a vida.

Pessoas, que dizem: “São apenas células”, “É produto de um estupro, não precisa nascer para abalar a mulher”, “Causa riscos à saúde da mulher”, “Vai morrer mesmo, por que deixar nascer se não tem o encéfalo bem formado?”. Essas mesmas que defendem tanto o direito das mulheres, ” Meu corpo, minhas regras”, tiram delas a maior dádiva, só concedida às mulheres: a de trazer ao mundo um pedacinho seu.

Bom, mas eu digo: caso você considere que é “apenas um amontoado de células” e não um ser humano, parabéns, você é um mutante, porque não precisou passar pelas fases embrionárias: mórula, gástrula, blástula. Mas se você é como eu, é magnífico ver que fazemos parte de tudo isso e antes éramos tão pequenos, minúsculos e olha…já tínhamos alma! Quando os gametas se fundiram … Uhull lá estava eu. Eu, um ser humano, com dignidade, como hoje eu o sou, independente se eu tinha ou não todas as minhas faculdades biológicas, ERA EU. Pois a fase embrionária é uma fase de desenvolvimento tal qual todas as outras na vida de um indivíduo assim como a infância, a adolescência, etc.

Digo mais, no caso de um estupro, o que tem a criança a ver com isso? Ela nem tem culpa, é inocente.  Agora é lícito que um inocente pague a pena do condenado? Ora, ora isso não é religião, é justiça. E se a mãe correr risco? Uma palavra… Mãe que é mãe dá a vida pelo filho. E se ainda a criança for anencéfala? Mesmo que respire por um segundo, ela merece esse um segundo.

Estou tratando o assunto de modo sentimentalista? Lógico, por que não sou uma máquina, sou humana, não mutante. Mas se querem dizer que o “Corpo é meu, as regras são minhas”, vamos lá…. corpo do bebê, regras do bebê e fica elas por elas. Aonde quero chegar? Quero chegar ao ponto de desabafar o que está entalado na minha garganta… que a sociedade é prática, relativista e individualista.

É tão fácil pedir um aborto, quando você já vive. E se fosse você? Não venha me dizer que respeitaria, se sua mãe quisesse um aborto, mentira sua.  Olhe de dentro do útero… com certeza você quereria sentir um abraço, beijos, carinho, você seria dependente dela, como foi um dia. Ela olharia para você, e veria um ser totalmente dependente, mas veria que ela também depende de você : depende do seu sorriso, do seu chorinho, da sua carinha de sapeca, depende do seu amor.

As verdadeiras mães não são as que sabem da dependência dos filhos, mas que se sabem dependentes deles. Santa Gianna Beretta Molla teve de decidir: abortar ou morrer… ela apenas disse “Salvem a criança, pois tem o direito de viver e ser feliz!”. Uma MÃE, uma Santa mãe. Moças quereis ser verdadeiras mães como ela, quem olha só para o próprio umbigo, nunca pode ser feliz, pois nunca saberá o significado de Caridade. Amor de mãe, uma graça que Deus quis dar somente para as mulheres.

Sílvia Maria

Mulher menina, estudante de química, fãzona de Santa Teresinha