Santa Carona

Liberdade: grito ou verdade?

Entre tantos hinos e cânticos pedimos liberdade. Tantas lágrimas e sangue, por liberdade. Um grito “Libertê, fraternitê, igualitê” ouviu-se em 1789 na Revolução Francesa, querendo liberdade. Mas o que é realmente a liberdade? Podemos achá-la? Já a temos, ou estamos enganados?

Um filme me inspirou a escrever o texto de hoje: Bakhita. Ele conta a história de uma mulher do Sudão, que trazida para a Europa, mais precisamente a Itália, encontra-se com a Liberdade.

Criada em uma pequena aldeia do Sudão, Bakhita torna-se escrava ainda pequena e sofre diferentes torturas. Conta-se que quando já estava moça seu senhor apertava-lhe o bico dos seios, para que estes não se desenvolvessem. Após essa época de escravidão na África, é trazida para a Itália e passa a trabalhar na casa de uma família, cuidando de uma menina. O filme não trata totalmente da verdadeira história de Bakhita em relação a esta fase de sua vida, mas é muito condizente em relação ao carinho que ela tinha pela menina Mimina e não Aurora como diz o filme. Sabe-se que a partir dessa dessa vinda para a Europa, ela descobre Jesus Cristo.

Bom, queria chegar nesse ponto. Josefina Bakhita viveu buscando a liberdade, como muitos de nós e ela a encontrou nos braços de Cristo. Eis aí o sentido da verdadeira liberdade. Tendo sido escrava dos homens, ela se faz “escrava” de Nosso Senhor e entra para a ordem das Canossianas.

É interessante analisarmos a nossa liberdade. Deus em seu amor, nos criou homens e mulheres livres. Asim, somos livres para decidir se queremos ser verdadeiramente livres em seu amor, ou se queremos ser “livres”, sendo escravos do pecado.

A liberdade para muitos é não estar acorrentados, ter seus direitos respeitados, querer falar o que quiser, poder ir em qualquer lugar, ter suas regras, etc. Entretanto isso não é liberdade. A liberdade está em Deus. Aquele que não O procura, na verdade nunca entenderá o sentido da liberdade. Como dizia São Josemaria Escrivá “Aquele que não se sabe filho de Deus desconhece a sua verdade mais íntima e, na sua atuação, não possui o domínio e o senhorio próprios dos que amam o Senhor acima de todas as coisas”.

Percebemos então, que muitas vezes tentam nos confundir com uma falsa liberdade, um exemplo disso e que eu tenho muito citado é o ” Meu corpo, minhas regras”. As pessoas que dizem isso acham que são livres, mas não o são. Estão presas ao corpo delas, à materialidade da vida, se fazem escravas do egoísmo e do individualismo.

Há ainda os que se dizem livres para fazer sexo com a namorada, ou namorado. Enganam-se, isso  não é liberdade. Eles são escravos do sexo, da luxúria. Nisso eu poderia citar os demais mandamentos. Esses mesmos que se dizem livres, dizem que os mandamentos são formas de aprisionamento, porque para eles tudo é opressão. Mal sabem que são os dez mandamentos carta de alforria e que a cada confissão somos libertos do pecado que nos aprisiona.

A verdadeira liberdade não aprisiona, liberta! Eis o que nos diz novamente são Josemaria Escrivá:” Temos de repelir o equívoco dos que se conformam com uma triste gritaria: Liberdade, liberdade! Muitas vezes, nesse mesmo clamor se esconde uma trágica servidão, porque a opção que prefere o erro não liberta; só Cristo é que liberta, porque só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida”. Jesus é a nossa liberdade. Por isso Santa Bakhita nunca se rebelou por liberdade, nunca foi uma rebelde, sendo que ela tinha tudo para sê-lo. Ela é um exemplo vivo que a liberdade é estar em Deus, pois mesmo em sua infância quando não O conhecia, já sabia apreciar as belezas da vida, sorrir em meio a dor,ser gentil mesmo quando lhe batiam, pois ela já vivia a liberdade de filha de Deus. É uma pena que muitos não compreendam o verdadeiro sentido de ser livre. Que possamos a exemplo de Santa Josefina Bakhita ser escravos de amor a Jesus e ter assim como ela, a verdadeira liberdade e sermos chamados Filhos de Deus.

Sílvia Maria

Mulher menina, estudante de química, fãzona de Santa Teresinha