Santa Carona

O valor de uma vida

Ela vinha cambaleante pela rua, enjoada por causa do “monstrinho” que crescia em seu ventre. Sempre pensara: “Nunca serei mãe”, “Quero minha liberdade” e entretanto, agora por causa de um deslize estava grávida. Sentou na calçada. De meia calça preta e sapatos de salto alto, o cabelo loiro despenteado e maquiagem borrada. Justo agora que tinha conquistado um cargo de chefia na empresa. Estava grávida! Grávida! Grávida! Pensou logo que o cara da faculdade não iria ficar nem sabendo, melhor que não saiba. A solução? Já tinha: aborto.

Foi para o apartamento, subiu as escadas mais rápido do que podia. Abriu a porta. Foi direto pro banheiro. Vomitou o que tinha comido no trabalho. Lavou o rosto. Pegou o teste de farmácia na bolsa. Verificou de novo. Duas riscas. Grávida! Foi na internet. Pesquisou como abortar. Encontrou o nome do remédio. Não podia continuar com “aquilo” na barriga dela, a barriga era dela! De repente, uma mensagem no celular, uma das amigas tinha acabado de ganhar um bebê. A foto a fez pensar. Mas não, não podia pensar em bebê agora. “Nunca serei mãe”. Fechou logo a mensagem e foi na farmácia mais próxima.

Pediu o remédio. Saindo, topou com o “cara da facul”. Surpresa! Chamou ela pra sair. Nervosa, xingou. Disse que ele fora a pior coisa na vida dela. Queria independência e não um homem pra vigiar sua vida. Mandou ir embora. Saiu apressada, enquanto o “carinha” não entendia nada. Chegou em casa. Estava atordoada. Tomou o remédio antes que desistisse. Deitou na cama.

Amanheceu, ela abriu os olhos. Na cama, uma borra de sangue. Estava muito mal. Decidiu ir no hospital. Mas como? Não conseguia andar. Ligou para a amiga. A família não podia saber. A campainha tocou. Foi com muita dor abrir a porta. A amiga surpresa não sabia o que fazer. Tinha acabado de ter um bebê e tinha medo dos pontos da cesária abrirem. Mesmo assim ajudou a amiga cambaleante. Entraram no carro. Foram para o hospital. O médico disse ser início de um aborto. Fez os procedimentos. Ela acordou sedada. Pensando que não existia mais ninguém no seu ventre, sentiu um vazio. Era melhor assim. Quando o médico entrou no quarto começou a fazer perguntas que a amedrontaram. Mentiu. Disse que não tinha tomado remédio nenhum, ou se tomara, foi por engano. O médico sorriu e deu-lhe a notícia: “Ainda bem que foi só um pequeno sangramento. Você chegou a tempo mamãe. Parabéns você será mãe de uma menininha.”

Ensaiou um sorriso, mas por dentro não queria, não queria essa filha! A amiga conversou. Pediu que não voltasse a fazer aquilo. Se não quisesse a criança ela queria, adotava se fosse preciso. A outra começou a discutir: “Não quero, não vou perder meu emprego” “Como vou trabalhar de barriga?”, “Você acha que tudo é fácil, porque você tem um homem pra te bancar”, “Não quero ser como você, dependente de alguém”, “Quero ser livre, fazer o que eu quiser”,e a amiga com paciência disse: “Tenha calma, vamos dar um jeito”, “Por favor Luce, não tire essa vida, você vai se culpar depois”, “Eu te ajudo enquanto não puder trabalhar”, “Me dê sua filha e vou criá-la como minha”.

Mesmo insistindo que não queria aquela criança, foi convencida pela amiga. Deixou o emprego e passou a ficar presa em casa. Deu a desculpa para todos que foi viajar porque ganhara um prêmio de uma loja. E assim foi até o oitavo mês e meio. Até que a bolsa estorou. Era o dia. Ligou para a amiga. Foram para o hospital. Parto difícil. Naquele dia de setembro eu nascia. Menininha loira, pequenina e cega. Minha mãe me pegou nos braços. Minha mãe, Dona Lizandra, aquela que lutou por minha vida. Luce, após darem alta a ela, foi viver sua vida. Com seu trabalho de grande empresária.

Hoje após 25 anos do meu nascimento, estou de novo numa sala de cirurgia a espera da minha pequena Aurora. Sabe, não tenho vergonha de ser adotada, tenho orgulho da minha mãe, por ela ter me defendido, também não tenho rancor contra a minha mãe biológica, ela até veio me procurar muitos anos depois. Dizem que é muito bonita, e conseguiu o que queria, atualmente é dona de uma das empresas mais ricas do país, mas a voz dela…era de alguém triste, que não sabe o que é o amor de verdade. Eu agradeço a ela por ter me deixado viver, mesmo que não quis desfrutar da vida dela comigo.

Sei que ser mãe não é nada fácil, quando fiquei grávida pensei como seria uma, sendo cega, mas tenho meu marido, e minha família para me ajudar e sobretudo tenho meu Pai do céu, que nunca me desamparou e quis que eu viesse ao mundo para dizer que uma vida não tem valor. Ao escutar seu chorinho minha filha eu sei que esse vai ser o momento mais lindo da minha vida, porque riqueza, emprego, ou fama, passam, mas ser mãe nunca vai passar, o amor nunca morre, ele só aumenta. Se todas as mulheres soubessem que é bom sim, depender de alguém, é bom depender do sorriso do outro, é bom depender do chorinho do seu bebê, é bom ser  dependente do amor, elas seriam realmente felizes. Mas o ser humano parece que não quer ver, eles enxergam e não veem que o amor é um bem, um dom de Deus e que isso não se compra, não se paga.

Agora já posso ouvir você chegando minha pequena, vem pros meus braços filhinha para eu poder te dizer :”Seja bem-vinda minha Aurora!”

Queridos caroneiros enquanto vivemos uma época de sombras no país, resolvi escrever um conto que fala sobre o valor da vida humana. Paremos assim para refletir que não somos só corpo, somos corpo e alma. Que não deixemos a nossa alma padecer, por coisas efêmeras. Que não sejamos egocêntricos a pensar só em nós. Que possamos amar mais, sabendo que para amar é preciso sacrificar-se muitas vezes pelo outro. E que possamos gritar juntos: “Vida sim, aborto nunca”!

Se você conhece alguém que pensa no aborto como solução, ajude essa mulher. O texto que criei é apensa um dos casos. Há muitas mulheres que sofrem com isso e não tem ajuda de ninguém, sentem-se desesperadas e sozinhas, por favor mesmo assim, não deixem que o aborto se torne solução, ele nunca vai ser solução para ninguém, nem para a mãe e muito menos para o feto.

Se você quer ajudar ou quer ajuda  procure o movimento Pró-vida (está página é do Pró-vida Anápolis)

https://www.facebook.com/provida.de.anapolis

Também quero compartilhar esse vídeo de uma história verídica, vale a pena assistir:

Sílvia Maria

Mulher menina, estudante de química, fãzona de Santa Teresinha