Santa Carona

Arte, artistas e o discurso ideológico

É comum o meio artístico nos revelar algumas facetas ideológicas, nos dias atuas são em maioria progressistas. Quando a comunidade artística fala, sempre toma partido, e está quase totalmente imerso no campo ideológico esquerdista e, somando os grandes canais de TV (isso nos EUA ou no Brasil) e as grandes produtoras de filmes (Hollywood), somos soterrados por inúmeros detritos ideológicos, que exportados aos quatro cantos do planeta desde o advento do cinema, colabora para uma nova forma de sociedade cada vez mais identificada com o pensamento progressista.

O interessante é que há obras em vários campos da arte que são instrutivas denúncias aos mais variados sistemas ideológicos. É aqui que separamos o joio do trigo. O que diferencia uma obra e seus autores, como Dostoiévski com “Os demônios”, Orwell com “1984” e Huxley em “Admirável Mundo Novo”, e alguns filmes que estão fora do nicho ideológico daquela forma de narrativa que foi proferida em um acalorado discurso no último Globo de Ouro? A verdade que as obras e seus autores buscaram retratar e a desinformação, vitimismo e histeria que é notável na oratória em questão.

Não há obrigatoriedade em adorar o presidente eleito lá nos EUA, mas partir de desinformação e mentiras já desmascaradas para colocar as pessoas mais influentes das grandes massas como coitadinhos é hipocrisia. Enquanto Orwell, Doistoiévski, Huxley e Eastwood para colocar um cineasta na história, procuram expor em arte processos políticos/ideológicos e suas reais desgraças, hoje o progressismo hollywoodiano  só se faz de coitado, cria bodes expiatórios e, se afastando da própria realidade, tenta implantar mais desinformação.

Claro que a juventude “internética”, os millennials, que vivem desfrutando da “grande opressão estadunidense” achou toda a história um máximo. Adoraram a agulhada no atual presidente eleito nos EUA porque não gostam dele. E vem a pergunta: por que não gostam? Ora, é claro que o motivo é por conta da quantidade de propaganda que foi reproduzida mundo a fora demonizando o cara. Obra dos grandes intelectuais e influenciadores midiáticos que vivem para isso. Da mesma maneira que muitos intelectuais e artistas também achavam legal e até trabalharam para o regime soviético, outros ainda saíram demonstrando incondicional apoio a revoluções mundo a fora como a revolução iraniana. E temos exemplos interno que não há necessidade de ilustrar aqui, pois é só ligar a TV mais próxima que provavelmente verá alguma propaganda ideológica progressista, uma história de alguém que na ditadura foi contra os milicos, mas queria colocar outra ditadura no lugar… A categoria dos artistas é realmente hilária.

O cenário que temos é basicamente um campo de guerra política. Há certas informações falsas, de apelo emocional fácil e garantido, que minam a imagem de alguém, sua vida e ação política sendo disseminadas em todos os canais de informação existentes. A posição política que pode ser aceita e expressa na grande mídia é justamente a que colabora para a disseminação da desinformação, das falsas notícias, o que torna tudo mais fácil. Para ficar bem no meio, para não ser um pária entre a turma legal dos artistas, para ser assunto do momento no twitter você deve, basicamente, abraçar com todo o coração o politicamente correto e a agenda que ele propaga. Assim toda a trupe fica feliz, parecendo que é o mundo ideológico cor-de-rosa deles, mais uma vez, se impôs. Mas, atualmente, há um problema.

Antes havia uma hegemonia quase impossível de ser vencida nas mãos dos progressistas. Hoje, mesmo a grande mídia ainda sendo a casa deles, a internet faz o jogo ser jogado pelos dois lados. Minutos depois de “grande discurso” já tínhamos imagens de gente no salão do evento que representava a incógnita de muitos que viam a transmissão daquilo. Em mais uns minutos as primeiras refutações surgiram. Horas depois o circo caiu. A insatisfação com o que foi exposto e as provas das mentiras, o jogo político e o desconhecimento daquilo que estava sendo falado foi colocado para quem quisesse ver.

Por isso é importante o compromisso com a verdade. Ao fazer suas exposições sobre as malditas ideologias, um Orwell mostra a falha aos homens, sua corruptibilidade. Dostoiévski, um dos escritores que melhor retratou a alma humana, foi no âmago da nossa natureza e nos ofereceu uma amostra de toda a complexidade da vida e do existir em centenas de páginas. Assim fica claro para nós que há talentos e talentos. Compromissos e compromissos. Um quer expor parte da experiência, da reflexão, da compreensão dolorida daquilo que vivenciou em nome da verdade que está encerrada na sua narrativa. Já aquele outro busca apenas o aplauso dos demais, procura uma semana de agitação, quer cair no gosto da multidão.

Podemos aprender com essa situação que por mais que a pessoa represente bem um personagem, que ela cante bem, escreva bem, seja bom músico, ou seja, domine uma arte, não é condição para que sua opinião política seja aceita e que valha como regra e norma. Algo que devemos sempre ter em mente aqui em terras Tupiniquins, visto que qualquer um que ganhe notoriedade midiática, em qualquer veículo de entretenimento, da TV ou internet, passa a ser entendido como alguém que deve opinar sobre tudo e deve ser levado a sério. Os exemplos nacionais são dos mais variados, o que deixa a pergunta: como alguém ainda leva a sério esse tipo de gente com esse tipo de fala?

Tobias Goulao

Natural de Pirenópolis, professor, mestre em História, sobrevivente de duas universidades, amante daquelas coisas boas da vida: meus livros, meus filmes, cerveja artesanal e café.