Santa Carona

Cristianismo sem Cristo?

Hoje sexta-feira Santa, em que celebramos a crucificação e morte de Cristo, gostaria de refletir sobre o verdadeiro sentido  de ser cristão. Há dois mil anos atrás Jesus se fez homem para nossa salvação. É interessante pensar em por que Deus, teve Ele mesmo que sofrer para reparar nossos pecados. Ele poderia muito bem nos liberar da culpa com um estalar de dedos se quisesse. Então por que teve que morrer em uma cruz?

Deus criou originalmente o homem para que pudesse gozar da felicidade eterna. o homem, de certo modo, frustou essa intenção de deus ao rebelar-se contra ele, introduzindo o pecado no mundo. para que se satisfizessem as exigências da justiça, o homem devia ser punido pelo seu pecado. Mas a sua ofensa a Deus, suma bondade, era tão grande que nenhuma punição que o homem pudesse sofrer seria capaz de oferecer a Deus uma compensação adequada. Qualquer punição que sofresse teria de ser tão severa que acabaria por anular a sua própria felicidade eterna;e como o plano de Deus era acima de tudo conceder-lhe a felicidade eterna, essa punição frustaria novamente a intenção de Deus.

Eis por que- em face da necessidade de reparação devida a Deus e a incapacidade do ser humano de poder oferecê-la- o único caminho para expiar o pecado original era por meio da mediação de um Deus-Homem: só o próprio Deus, assumindo a condição do homem, podia oferecer uma reparação condigna em nome e no lugar do homem. Foi assim que Santo Anselmo de Cantuária justificou racionalmente a NECESSIDADE da morte expiatória de Cristo.

(Thomas Woods, como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, PÁG.184.)

Como vimos, Deus é justo e Ele mesmo por nossa felicidade eterna veio ao mundo, assumiu nossa condição humana e nos deu a oportunidade de alcançar o céu. Basta que sigamos esse caminho e lutar pelo céu, pois Ele já venceu por nós. Mas a verdade é que queremos ser cristãos só de nome. Com isso acabamos por fazer o mesmo que nossos primeiros pais fizeram, preferimos a efemeridade ao eterno, damos valor aos prazeres, em vez da verdadeira felicidade. E se acaso Deus pede um pouco de nós, já desistimos.

Acho tão bonito ver as pessoas postando fotos, dizendo que amam Cristo na semana Santa… mas Ele não quer o seu amor só por um dia, Ele quer que você prove isso nos outros 364 dias.

Vivemos em um mundo onde o 56° aniversário do Parque Indígena do Xingu ( que é algo nacional), merece ser mais recordado que a Paixão de Cristo. Sinceramente, hoje não é apenas mais um dia normal, em que você e sua família ou amigos vão sair por aí para curtir o feriadão. Hoje é um dia de chamar a responsabilidade dos nossos atos, bater no peito e realmente se assumir cristão e tentar mudar de verdade, mudar no que é preciso, nas atitudes mesquinhas e frívolas. Se todos os “cristãos” que conheço, inclusive eu, vivêssemos verdadeiramente o que Cristo nos pede… com certeza o Google estamparia na primeira página a Paixão de Cristo, com certeza o mundo seria melhor e não falo isso como utopia.

A verdade é que infelizmente o que temos visto e vivido é um cristianismo sem Cristo. Um cristianismo que releva tudo, sem sofrimento, sem Cruz. Não pode ser assim, temos que ser intransigentes com o que vai contra a doutrina, contra o que Cristo disse.O próprio Jesus foi intransigente, quando tentaram vender coisas no templo. Temos que aceitar o sofrimento, pois ele é o caminho para o céu, não saberíamos o que é alegria se não provássemos da tristeza.

O que mais me admira é que mesmo assim, com esse nosso cristianismo meia boca… Ele ainda nos ama, apesar de saber que esqueceríamos Dele frequentemente, apesar de saber que não O amaríamos como Ele merece, ainda sim, Ele veio ao mundo, se fez homem, fez milagres, amou, chorou por Lázaro, se compadeceu com a dor da viúva e da adúltera, subiu o monte Calvário e se entregou por nós. Realmente, só Ele é capaz de amar tanto assim. Então, vamos ACORDAR, vivamos por Cristo, façamos Dele o nosso melhor amigo, companheiro, porque Ele não merece esse nosso comportamento hipócrita.Sejamos CRISTÃOS de verdade, pois Cristo não fingiu ser crucificado, não carregou uma cruz de isopor, Ele verdadeiramente morreu por nós.

 

Sílvia Maria

Mulher menina, estudante de química, fãzona de Santa Teresinha