Santa Carona

Carnaval, pode ou não pode?

O mês de fevereiro chegou e com ele duas datas de destaque, o Carnaval e logo em seguida a Quarta-feira de Cinzas dando início a Quaresma. Nota-se a diferença óbvia e clara dos tipos de alegria que ambas levam. A primeira, o Carnaval, oferece prazeres mundanos e uma alegria passageira. E a segunda, a Quaresma, que nos conduz até a alegria pascal. Esta alegria tem como base a zoe, que é a vida eterna ,nova vida,  e a alegria espiritual reside nesta. Vale recordar aqui a alegria que Santa Teresa D’Ávila encontrou e viveu, quando adentrou na sétima morada, após uma intensa amizade com Deus. Mesmo seu corpo sofrendo, ela tinha paz e alegria, pois ela descobriu que a Trindade habita o homem interior. Algumas alegrias deste mundo não são necessariamente más, desde que haja um saudável ordenamento do homem, como diz o padre Paulo Ricardo. A alegria do homem é sempre devido ao bem que está vivendo, quando este bem passa a alegria também passa. Mas é preciso cautela, pois devido ao pecado original as alegria mundanas tendem a substituir as alegrias de Deus.

E com relação então ao Carnaval? Posso ou não posso ir pular Carnaval? Posso ou não posso acompanhar pela televisão os desfiles? Primeiramente, vamos então fazer uma analise, tentando primeiro entender sua origem. Bem, há diversas explicações sobre a origem do Carnaval, a mais predominante diz que a origem do carnaval pagão começou quando Psistrato, governador de Atenas (561-556 a.C./546-527 a.C.), oficializou o culto ao deus Dionísio, o deus do vinho. Eles faziam um cortejo com uma nave e esta festa passou a se chamar currus navalis (nave carruagem) de onde teria vindo a forma Carnavale. Depois isso se expandiu também para Roma, no qual eles também cultuavam vários deuses, inclusive o deus Baco, que também é o deus do vinho. Outros autores já acreditam que o carnaval tenha começado no Egito antigo, nas festas em honra à deusa Ísis (2000 a. C.).

Com relação ao Império Romano, essas festividades carnavalescas se chamavam “pompas bacanais” ou “saturnais” ou “lupercais”. Bacanais pois eram feitas ao deus Baco, saturnais devido ao deus Saturno (idêntico ao deus Cronos dos gregos) e lupercais  ao deus Pã. Ambas essas festividades eram regadas de orgias sexuais degradantes.

No início da Era Cristã, de acordo com o professor Felipe Aquino, os cristãos se depararam com estes costumes pagãos e então eles procuraram cristianizar esses costumes, substituindo práticas supersticiosas e mitológicas por festividades e celebrações cristãs. Em decorrência disso, as festividades pagãs do carnaval que antes ocorriam nos dias 25 de dezembro, 1º de janeiro ou outras datas religiosas pagãs, se resumiram nos três dias que precedem a Quarta-feira de Cinzas. Então percebe-se que ao contrário do que ensinam por ai, a Igreja Católica não adotou, digamos, o carnaval e quão menos o criou, mas procurou dar um novo sentido a esta festa, como diz o papa São Gregório Magno (590-604), no qual ele deu ao último domingo antes da quaresma  o título de “ dominica ad carnes levandas” onde teria gerado o termo “carneval” ou carnaval. Por isso muitos autores afirmam também que o nome Carnaval, deriva do latim carne vale, que significa “adeus carne”, outros já optam por carnem levare, suspender a carne. Ou seja o consumo de carne era lícito pela última vez antes do jejum quaresmal.

A Igreja procurou, e procura ainda, incentivar os retiros espirituais e a “Adoração das Quarenta Horas”. Esta adoração é um costume antigo como vemos e algumas igrejas a fazem. Ela consiste em 40 horas de adoração ao Santíssimo Sacramento nos dias anteriores à Quarta-feira de Cinzas e o objetivo desta adoração é reparar os inúmeros pecados cometidos nessa época do ano e que tanto ofendem ao Sagrado Coração de Jesus. Atualmente em todo o nosso país temos encontros e aprofundamentos durante este período, graças a Deus.

Porém vemos que o Carnaval atual não se difere tanto das festividades pagãs da Antiguidade, é um período em que fica mais complicado ainda ligar a televisão sem ficar pasmo. O cristianismo tenta desde o início fazer com que as pessoas não caiam nas orgias e bebedeiras, mas muitos ignoram esse apelo e quantos se perdem nessa época e quantas famílias são destruídas! Nos bailes e Escolas de Samba há uma predominância do nudismo e outras libertinagens e esquece-se completamente dos mandamentos da Lei de Deus, principalmente destes dois: “Não pecar contra a castidade” e “Não desejar a mulher do próximo”. É caótico notar que todo esse desregramento é incentivado pelo próprio governo. É interessante salientar também que no século II a. C., o Senado Romano, vendo a confusão que gerava, combateu os bacanais e seus adeptos, acusados de graves ofensas contra a moralidade e contra o Estado. Já houve governo que foi contra esses desregramentos!

Para aproveitar este feriado não é pecado nenhum se reunir com a família e os amigos para se divertir um pouco, desde que não seja em um local em que haja ocasião de pecado. A Igreja não tem, até onde sei, nenhum documento oficial que fale diretamente do Carnaval, mas há vários que alertam para a obrigação que temos de evitar ocasiões de pecado. E o que seriam essas ocasiões de pecado? Essas ocasiões são todas as circunstâncias , lugares, coisas ou pessoas que estimulem as paixões mundanas e que seduzem a pessoa a pecar. E como diz Santo Afonso Maria de Ligório,

“Expor-se a uma ocasião próxima de pecado mortal, que se poderia evitar, já é pecado mortal de imprudência”.

Com isso já dá para concluirmos que é bom que evitemos os bailes e desfiles de carnavais, que todo mundo sabe o que acontece neles. Se já sabemos o que se passa neste locais, então porque ir? Porque assistir? Esses comportamentos ilícitos não merecem a atenção e quão menos a presença de um bom cristão, pensemos na nossa própria alma. Então a dica é : aproveite este feriado para rezar, estar junto com a família e os amigos e se divirta de modo que não manche tua alma e ofenda a Deus. Não caia na hipocrisia de pecar tendo consciência de que está pecando e depois dizer: “Na Quarta-feira de Cinzas tá tudo resolvido”. Faça o esforço de evitar o pecado, com Deus não se brinca. Ele é misericoridioso, mas também é justo. Não busquemos falsas alegrias, mas busquemos a verdadeira que satisfaz a alma. E lembre-se e reflita:

“Pode alguém caminhar sobre brasas sem queimar os próprios pés?” (Pv 6,28).

Salve Maria!

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.