Santa Carona

As ondas do feminismo: caminhos percorridos e as suas consequências

Com o dia Internacional da Mulher se aproximando, já na próxima semana, com ele vem acompanhado os manifestos feministas, abordando suas “conquistas” e reclamando por  direitos, nos quais muitos acarretam em uma série de problemas , mas que são silenciados.  Mas, vamos abordar então, de forma resumida e simples, as ondas do feminismo. Entender seus avanços e como as ideias foram se modificando com o passar do tempo e entender as consequências nos dias atuais.

Antes do movimento feminista começar a ter este nome, existiu antes o denominado protofeminismo, seria uma espécie de pré-feminismo.  As mulheres que se destacam são basicamente escritoras iluministas, no século 18.  Porém há obras bem mais antigas que retratam algumas ideias feministas, como por exemplo, o livro A cidade das Mulheres de Christine de Pisan, de 1405, no qual é considerada uma sátira à obra de Santo Agostinho, Cidade de Deus, e também teve como base a obra do italiano Boccaccio. Houve também um movimento denominado “Querelle des Femmes”, no qual havia um intenso debate entre homens e mulheres, sobre a vida das mulheres e seus direitos. Porém, por volta do ano de 1790, que começam as publicações mais importantes voltadas para o protofeminismo. Os primeiros provêm de uma francesa chamada Olympe de Gouges, autora do panfleto Declaração dos Direitos das Mulheres e da Cidadã, no qual conclama as mulheres à ação, dizendo: “Ó mulheres! Mulheres, quando deixareis vós de ser cegas?” . Era uma forma de provocar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, desigualdade entre os sexos com relação a direitos e deveres. Porém ela começou a ser vista como uma ameaça e foi guilhotinada por Robespierre em 1793. Posteriormente também houve uma publicação que marcou essa época. Foi a do livro “Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher”, em 1792, por Mary Wollstonecraft, que para alguns historiadores esta obra é considerada um dos documentos fundadores do feminismo, que retrata a exclusão das mulheres à direitos básicos e fazia vista grossa sobre o casamento e que a mulher não precisava disso. Porém, quando seu primeiro casamento não deu certo, ela tentou suicídio duas vezes. Depois teve um amante, no qual ficou grávida, mas logo morreu devido a complicações no parto.

Então, finalmente, em 1848, começa a Primeira Onda do Feminismo, em decorrência de um evento que ocorreu nos Estados Unidos, “Convenção Dos Direitos das Mulheres”, no qual é elaborado um documento que contém as queixas principais dessas mulheres. Nesta época, elas não são conhecidas como feministas, mas sim como sufragistas. Então elas começam a se organizar na França, na Inglaterra e tardiamente na Rússia. Era um grupo de mulheres delegadas a lutarem pelos direitos femininos, supostamente. Então basicamente a Primeira Onda, que começa em 1848 e vai até 1950 ou 1960, dependendo do historiador, contempla as lutas pelo: Sufrágio Universal (direito ao voto), direito a herança, direito a propriedade e igualdade no contrato de casamento, para que os homens não controlassem todos os bens, para que as mulheres tivessem também essa liberdade. Nessa primeira onda, começa também as primeiras articulações para que as mulheres fossem mais inseridas no mercado de trabalho e na vida pública. Lembrando que as sufragistas lutaram e venceram pelo direito de voto das mulheres em todos os 50 estados nos EUA, eram contra o aborto, não tinham vontade de erradicar a natureza feminina e eram a favor da família tradicional. As sufragistas tinham um modo de pensar diferente das ditas feministas.

Logo, devido a Revolução Industrial e a Primeira Guerra Mundial, as mulheres vão encontrar cargos tanto nas Indústrias Bélicas, cargos também de telefonistas, secretárias… enfim, são inseridas por uma questão social e econômica, devido a revolução e a guerra e inseridas também na vida pública, já que nesta época o direito ao voto para mulheres  já estava praticamente consolidado, sendo a França um dos últimos países a aceitarem esse direito.

Conseguindo esses direitos, as reivindicações do feminismo mudaram, surge então o movimento feminista de Segunda Onda, por volta de 1960. Este movimento começa a reivindicar pelo “direito reprodutivo”, um nome mascarado para: legalização do aborto, promiscuidade, contracepção, liberdade sexual, divórcio unilateral e divórcio facilitado. Mas vale ressaltar um detalhe interessante, essas reivindicações já começam a acontecer lá na Primeira Onda em 1917 na Rússia, pois as socialistas são bem diretas nessas questões. Mas consolidou-se de fato na segunda onda, se tornando a bandeira deste movimento, dando abertura para diversas obras, como por exemplo A Mística Feminina, da autora Betty Friedan, no qual ela contesta o papel da mãe e esposa. Friedan adota uma teoria de que as mulheres eram oprimidas, as donas de casa estavam entediadas e que também não havia vantagem econômica em criar bebês, que isso impedia de que as mulheres usassem sua inteligência de modo a beneficiar a sociedade. Outro livro lançado foi O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir,que afirma que a mulher é sempre vista como algo relativo, uma segunda opção, tenta convencer de que as mulheres são vistas como um ser inferior , gera propositalmente um sentimento de ódio aos homens e dita praticamente o que as mulheres deveriam realmente fazer. Ela mesma afirma que nenhuma mulher deveria ser autorizada a ficar em casa para cuidar de seus filhos. pois se ela tem essa escolha, muitas optarão por ela. Livros como esse e outros como o de Margaret Sanger autora de Eixo da Civilização, no qual a mesma defendia ideias abortistas, começam a dar vida à dita Ideologia de Gênero.

Por volta de 1990 começa então a Terceira Onda do feminismo, a mais drástica, que tiveram como bandeira a Ideologia de Gênero.  Uma das obras principais, que alavancou essa ideologia foi o livro Problemas de Gênero da autora Judith Butler. Há muitas teorias conhecidas desta autora, e uma delas afirma que “homem e mulher podem facilmente significar tanto um corpo feminino como um corpo masculino, e mulher e feminino podem significar tanto um corpo masculino como um corpo feminino”. Teoria estranha e confusa até mesmo para digitar. Antes de Butler, houve outras publicações que auxiliaram nessa bandeira da Ideologia de Gênero, como as publicações de John Money (psicólogo envolvido no caso dramático dos irmãos Reimer), Margaret Mead, uma antropóloga que visava o estudo do gênero e outros assuntos como liberdade sexual, aborto, legalização da maconha. Se casou três vezes e teve dois casos amorosos com mulheres, e isso tudo é considerado motivo de orgulho para as feministas, sendo assim considerada uma mulher muito a frente de seu tempo, visto que suas ideias começaram a ganhar força em 1926. E outro documento que também serviu de base foram os Relatorios Kinsey (1949-1954), que são estudos feitos pelo biólogo Alfred Kinsey sobre o comportamento de homens, mulheres e homossexuais.

Posteriormente começaram a existir vários tipos de feminismos, sendo os principais, o Feminismo Universalista e o Feminismo Diferencialista, então a partir dai eles se subdividem em: feminismo individualista, libertário, socialista marxista (que é o feminismo radical que mais conhecemos). E na virada dos anos 2000, surgiu então uma enxurrada de tipos de feminismos, como por exemplo o feminismo da mulher negra, feminismo trans, dentre outros.

Então, mais resumidamente falando, podemos afirmar que a Primeira onda é voltada para as reivindicações de direitos civis e jurídicos, a Segunda Onda se refere a direitos sexuais e a Terceira Onda à ideologia de gênero.  Olhando esse breve passeio pela historia do feminismo e os resultados atuais, vemos o quanto complicou na verdade a vida da mulher, pois foi colocado em jogo desejos que fazem parte naturalmente da mulher, e as conquistas materiais, principalmente, foram colocadas acima dos desejos naturais. Collen Campbell cita no seu livro Minhas Irmãs as Santas, sua frustração ao entrar em um curso de estudos feministas, pois ela imaginava que encontrara ali algo que tirasse seu vazio, sua sede de algo. Porém o que ela encontrou foi exageros e coisas sem sentido, coisas que fizeram ela ficar decepcionada com essas idéias, a quando não conseguiam alguma explicação, colocavam a culpa no patriarcado:

“embora criticassem bastante a fixação dos homens em dinheiro, sexo, poder e status, muitas dessas mulheres nutriam as mesmas ambições… sua visão de mundo materialista me sufocava… não havia nenhum horizonte transcendental e poucas referenciam se faziam à verdade, à beleza,à bondade ou a Deus”.

A maternidade passou a ser visto como algo ruim e penoso, que atrapalha o desenvolvimento da mulher (o que é absurdamente mentiroso). Vemos também o degradante ensino que temos atualmente, e como as pessoas que pensam ao contrario do que se prega são vistas com maus olhos, o que faz por em duvida a conhecida “liberdade de expressão”.

“É por isso que o dito movimento das mulheres (termo enganoso, já que sugere que todas as mulheres estão no mesmo time), é falso. O movimento feminista nunca foi a favor de todas as mulheres, apenas das liberais. Não foi idealizado para criar condições de igualdade, e sim para reorganizar a sociedade a fim de tornar a vida mais convencional para as feministas. O movimento foi idealizado para mudar o discurso, o tempo e a natureza do mundo.” (Suzanne Venker e Phyllis Schlafly, O outro lado do Feminismo).

Espero que com este breve texto sobre as ondas do feminismo, vocês caroneiros busquem mais informações sobre este tema e consigam desmascarar cada vez mais este movimento que não tem como intuito ajudar alguém, mas ditar outras normas e novas ideologias sem sentido, que são praticamente impostas a todos.

Que o exemplo da Virgem Maria nos conduza pelos caminhos certos, que nos aproximem cada vez mais de seu Filho Jesus.

 

Salve Maria!

 

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.