Santa Carona

A mulher de valor

“ A mulher de valor, quem a encontrará? Ela é muito mais preciosa do que as  jóias.”

( Provérbios 31,10)

 

Em outras traduções encontramos no lugar de “mulher de valor” também “ mulher forte” e “mulher virtuosa”. Essa força refere-se à virtude cardeal da fortaleza, aquela que proporciona segurança perante as dificuldades, firmeza na constância na procura do bem, resiste as tentações e esta virtude nos leva até a renuncia da própria vida  para defender uma causa justa, assim como fizeram tantos santos. Ela também faz com que não nos abalemos facilmente perante as acusações do mundo.

“Coragem, eu venci o mundo!” ( Jo 16,33)

A virtude da Fortaleza é que nos faz fortes perante as audácias do mundo e do pecado, nos faz  ir “contra a maré” para sermos aquilo que Deus nos pede . Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja Católica foi responsável por elevar a mulher a uma dignidade que seria impossível para ela no mundo pagão. No cenário católico aparecem mulheres virtuosas que contribuíram grandemente no cristianismo e que são grande exemplo para nós.

Na carta apostólica Dignitatem Mulieris relata que num de seus discursos, o Papa Paulo VI declarou, entre outras coisas que “no cristianismo, de fato, mais que em qualquer outra religião, a mulher tem, desde as origens, um estatuto especial de dignidade, do qual o Novo Testamento nos atesta não poucos e não pequenos aspectos (…); aparece com evidência que a mulher é destinada a fazer parte da estrutura viva e operante do cristianismo de modo tão relevante, que talvez ainda não tenham sido enucleadas todas as suas virtualidades”.

Há muitas características que são únicas da mulher, e uma delas é o chamado a maternidade. Toda mulher ao atingir sua maturidade, tem o coração materno e essa maternidade engloba  tanto a vocação matrimonial quanto a religiosa e isto faz parte do plano de Deus, visto que “ a mulher será salva pela geração de filhos , se perseverarem na fé, no amor e na santidade, com bom senso unido à modéstia.” ( 1Tm 3,15). A Igreja Católica portanto admira o papel da mulher, como aquela que cuida, educa e tem um jeito especial  de lidar com as diversas situações, um jeito feminino.

Com relação à Idade Média, no livro Uma História que não é Contada do professor Felipe Aquino (recomendo bastante a leitura), relata que nunca como nos tempos bárbaros as mulheres santas, casadas e consagradas, tiveram um papel tão fundamental sobre os seus reis esposos. Um exemplo disso é Clotilde, esposa de Clovis rei dos francos. Clotilde era uma princesa burgúndia, de grande beleza e sabedoria. Era uma mulher católica, um modelo de piedade e virtude. Clotilde foi responsável pela conversão de seu marido, que aconteceu em uma batalha decisiva em 496 contra os alamanos, no qual o rei desesperado, temendo perder, clamou ao céu chorando:

“Jesus Cristo, que Clotilde afirma ser o Filho do Deus da vida, tu que desejas vir em auxílio daqueles que desanimam e dar-lhes a vitória, desde que esperem em ti; eu invoco, devotamente o teu glorioso socorro. Se dignares conceder-me a vitória sobre os meus inimigos, e se eu experimentar esse poder de que as pessoas que usam teu nome afirmam ter tantas provas, acreditarei em ti e far-me-ei batizar em teu nome. Invoquei os meus deuses e nenhum socorro recebi…”.

Então nesse instante ao alamanos fugiram, e como seu rei havia sido morto, submeteram-se a Clóvis. São Vasta então instruiu Clóvis na fé e depois ele foi batizado. São Avito posteriormente disse a Clóvis: “Graças a vós, essa parte do mundo resplandece com um brilho próprio e, no nosso Ocidente cintila o clarão do novo astro. A vossa fé é a nossa vitória!”.Então nascia a França cristã. Clotilde, uma jovem esposa, levou seu marido à Jesus Cristo e à civilização. É como diz em 1 Coríntios 7,14 “a mulher que crê santifica o marido que não crê”.

Uma outra mulher, que foi venerada por Clovis como santa, foi Santa Genoveva, que nasceu em Nanterre no ano de 422 de uma família muito simples. Desde pequena não pensava em outra coisa a não ser na vida consagrada, e com pouca idade ela fez um voto a Deus para viver a virgindade consagrada. Quando seus pais morreram, ela foi morar com sua madrinha e ali ela fazia sua orações e penitencias pela salvação das almas, e foi ficando então conhecida pelo seu fervor. Porém ela foi muito incompreendida pelas pessoas, chegou a ficar três dias em coma devido a uma grave enfermidade, mas sempre confiava na vontade de Deus e se compadecia das realidades de cada pessoa. Em um certo momento chegou uma história em Paris de que os hunos estavam querendo invadir a cidade, porém Santa Genoveva sabia que não era verdade e contou ao povo, então a mesma foi acusada de feiticeira e quiseram queimá-la. Porém sua fidelidade a Deus sempre fora sua resposta, e a mesma não foi queimada. Em um dado momento, os hunos realmente quiseram invadir Paris, então ela chamou o povo à oração e a penitencia. Estes acreditaram nela e a obedeceram, e então esta invasão não aconteceu. Ela era uma mulher de caridade, alimentava os famintos e cuidava dos doentes. Ela faleceu aos 90 anos.

São muitas mulheres que tiveram papeis importantes no cristianismo, não daria para listar todas aqui. De início temos Nossa Senhora, um grande exemplo de humildade, fortaleza e obediência a Deus, e em seguida as mulheres que aparecem na Bíblia. Então temos também outras santas, como Santa Joana D’Arc, Santa Teresa D’Ávila, Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha do Menino Jesus. Enfim, são muitas, inclusive mulheres também do nosso tempo.

Nós mulheres temos uma sequencia enorme de ensinamentos e de exemplos a seguir. Exemplos de vidas que não obedeceram as regras do mundo, que souberam dar tudo de si naquilo que Deus pediu que desempenhassem, que fora seu chamado. A mulher de Provérbios 31 é uma mulher virtuosa, de confiança e que transmite esta confiança, que sabe ajudar quando alguém precisa, que é organizada, atenciosa, cuida de seu lar, cuida dos outros e de si também, não é desleixada. E o principal, ela Teme a Deus!

“ O encanto é enganador e a beleza, passageira; a mulher que teme o Senhor, essa sim, merece elogios!” ( Provérbios 31,10).

Que a Virgem Maria esteja sempre ao nosso lado, nos ensinando como devemos ser, nos livrando de tantos males e mentiras esparramadas pelo mundo nos quais ditam comportamentos errôneos, atingindo de forma má a feminilidade. Que saibamos ser a diferença neste mundo, luz em meio as trevas, lírio entre espinhos. E que tenhamos consciência do privilégio de ser mulher, sem as idéias feministas.

Salve Maria!

 

 

 

 

 

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.