Santa Carona

Semana Santa e a aproximação da família

Estamos na Semana Santa e muito se fala sobre jejum, abstinência, silencio, pontos muitos importantes que nos faz aproximar mais de Deus. Porém, hoje vou tratar aqui de um ponto também muito importante, a aproximação dos pais com os filhos. Hoje esta aproximação anda um tanto abalada e parece que houve uma inversão de papeis. Muitos pais acabam deixando a educação que vem de casa por conta de professores por exemplo, e o ensino das orações, das virtudes por conta exclusivamente da Igreja. Observando pelo lado da educação vinda do Estado, este distanciamento dos pais é visto como uma brecha perfeita, visto que a forma de educação que o Estado fornece visa seus próprios interesses e pouco se preocupa com a formação humana baseada nos valores cristãos, ponto que na verdade querem acabar, tirando a família de cena.

Vamos relembrar aqui brevemente a quem pertence o papel da Educação, de acordo com a Encíclica Divini Illius Magistri, escrita pelo Papa Pio XI em 1929, mas que possui um conteúdo muito atual. De acordo com a Encíclica, a educação pertence a duas sociedades de ordem natural (família e sociedade civil) e sociedade de ordem sobrenatural (Igreja).

1° A Família: Tem prioridade por natureza, possui direito anterior ao Estado, possui também direito inviolável, mas não despótico (precisa lembrar-se de suas obrigações e responsabilidades) e os pais devem ser exemplo, afinal os filhos tendem a copiar o comportamento de seus pais.

2° A Igreja: A educação pertence à Igreja, primeiro de modo sobreeminente, pois Deus ordenou a Igreja que fosse pelo mundo e que ensinasse o Evangelho a toda a criatura. E segundo, com relação ao seu envolvimento em muitas questões voltadas para a área da educação, sobre ir contra o método de ensino atual, a igreja tem esse direito, pois ela tem a sua maternidade sobrenatural, e ela deve agir como mãe que protege seus filhos, tendo direito de intervir de algum modo.

“ é direito inalienável da Igreja, e simultaneamente seu dever indispensável vigiar por toda a educação de seus filhos em qualquer instituição quer pública quer particular, não só no atinente ao ensino ai ministrado, mas em qualquer outra disciplina ou disposição, enquanto estão relacionados com a religião e a moral.”

E vale lembrar o quanto a Igreja se preocupa com uma educação de qualidade, por exemplo, com a fundação de inúmeras universidades já na Idade Média.

3° O Estado: Tem o papel de suprir deficiências e providencia com os meios apropriados, sempre em harmonia com os direitos naturais da prole e com os sobrenaturais da Igreja. Observe, suprir deficiências, e não tomar o lugar.  Ou seja, o Estado ficaria apenas com a educação cívica, que é importante também.

A educação principalmente em escola publica passa por um declive grotesco, a maioria opta por valorizar doutrinações comunistas, e então os bons professores sentem uma dupla dificuldade: a primeira é ter que driblar os conteúdos infames, vindos de forma errônea em livros, e ver o melhor método de passar para seus alunos. A segunda é que muitas vezes eles precisam ser pais e mães ao mesmo tempo, de mais de 100 alunos. Ao analisar o meio, estamos vendo um “abandono” praticamente em massa, onde os pais praticamente não dão mais tanta atenção ao que seus filhos aprendem, não revistam mais os livros, e não percebem qual a intenção por trás de determinados ensinamentos para crianças e jovens. Muitos pais nem aceitam reclamações de que talvez seus filhos estejam indo para a escola não com o intuito de estudar, mas pra fazer o que bem entenderem, e esses alunos não aceitam ser corrigidos. Outros alunos já não se sentem bem no ambiente escolar devido aos conteúdos ideológicos que são dados e muitos pais preocupados se veem sem saída, enfim há uma problemática muito grande. E observem que ponto interessante que precisa ser refletido: um país como o nosso, que se diz ser democrático, obriga os pais que talvez não tenham renda suficiente para pagar uma boa escola católica (que não seja TL), são obrigados a colocarem em uma instituição que vai contra tudo o que foi aprendido em casa. Ora, isso não é um Estado Democrático!

Outra questão que precisa ser abordada é com relação à educação religiosa que deve ser feita em casa. Como vimos acima, a Igreja dará todo o suporte para que as pessoas se aproximem mais de Deus e conheçam mais sobre a Igreja. Mas lembre-se os pais devem cumprir com seu papel, e não deixar tudo por conta da Igreja. É preciso dar foco na educação cristã feita em casa, e para educar os filhos neste mundo confuso é preciso ensinar verdades básicas que atravessam séculos, sobre o certo e o errado, o bem e o mal, sem as ditas relativizações.

Bem…você deve estar se perguntado: e o que isso tudo tem haver com a Semana Santa? Ora, tudo! Veja bem, sabemos que este tempo é um tempo de recolhimento, penitencias, mas esquecemos de olhar pra quem convive conosco, não mudamos o nosso comportamento e a Semana Santa passa e não mudamos em nada. Então a idéia é, que tal aproveitarmos este tempo de oração para que haja uma aproximação maior entre as famílias? Porque não aproveitar para ensinar aos filhos a importância desta semana, explicar todo o sacrifício de Jesus e meditarem juntos cada dia desta semana. Os irmãos podem se ajudar entre si também, os mais velhos ensinando aos mais novos, ajudando os pais nesse processo.  E celebrações para irem juntos à Igreja durante esta semana é o que não falta. Aproveitar também para aproximarem de seus filhos em todas as áreas, inclusive na área da educação, observar o que aprendem, se condiz ou não com os ensinamentos cristãos.

Nos encontros de catequese que já ministrei, pude notar que muitas crianças não sabiam orações básicas, como o Pai-Nosso e a Ave Maria, e nem sabiam fazer o Sinal da Cruz. A Igreja como vimos ensina e cumpre sua missão com alegria, mas os pais não devem esquecer-se de sua missão também. E a Semana Santa é um tempo perfeito para dar um novo começo a essa proximidade nas famílias. E porque não rezarem o Santo Terço juntos, já que ele contempla toda a vida de Cristo?

Iniciando com pequenas atitudes concretas daremos grandes passos. Que todas essas ações não fiquem restritas somente à Semana Santa. Mas que continue e se fortaleça em todos os âmbitos da vida, inclusive nos momentos de oração e na área da educação. E que aquele belo costume de rezarmos em família volte, que ele não se perca. Porque afinal de contas: Família que reza unida permanece unida!

 

Salve Maria!

 

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.