Santa Carona

Servo mau e preguiçoso!

“A omissão é o pecado que com mais facilidade se comete, e com mais dificuldade se conhece; e o que facilmente se comete e dificultosamente se conhece, raramente se emenda. A omissão é um pecado que se faz não fazendo. “(Padre Antônio Vieira)

 

Ao ler a parábola sobre os talentos, em Mateus 25, 14-30 geralmente questionamos um pouco sobre o porque do senhor ser tão severo com o último servo, que com medo de perder o único talento que recebera o escondeu no chão e depois o entregou ao seu senhor. Poderíamos questionar: Não foi uma questão de prudência? Bom, o senhor na verdade queria observar o que cada servo faria com o que lhes havia sido confiado. Os dois primeiros foram fiéis no pouco, “frutificaram” e então o senhor confiou mais a eles. Porém, o servo com medo, deixou de “frutificar”, agiu de forma contrária, ao invés de multiplicar o bem o omitiu.

“Quem, pois, sabe fazer o bem e não o faz, é réu de pecado”. Tiago 4, 17.

A omissão ocorre quando a pessoa pode fazer algo bom e não o faz por medo, indiferença ou preguiça. É importante, como diz o padre Paulo Ricardo, conhecermos os nossos dons e limitações para que saibamos quando devemos agir com generosidade ou rezar em silencio, que também já é um ato de caridade.

Uma das formas de lutar contra o pecado da omissão é reconhecendo nossos dons e limitações e também superando a tentação do indiferentismo. Também é importante reconhecer quando está agindo com medo e o porquê deste medo, pois devido ao meio em que vivemos, com o ambiente politicamente correto, somos levados a nos manter em silencio, escondendo a verdade e o bem. A luta consiste em escolher em fazer o bem completo e não uma parte dele, omitindo aquilo que não é “obrigatório” digamos. Vale ressaltar sobre a importância de não omitir nossos pecados no momento da confissão, não os confessando ou confessando apenas uma parte dele, pois isso traz grandes prejuízos à nossa alma.

Em nossa vida muitas vezes somos como este último servo, acreditamos que estamos agindo de forma correta, mas na verdade não estamos sendo aquilo que Deus realmente quer de nossas vidas, que multipliquemos os nossos talentos. Cometemos o pecado da omissão muitas vezes e até mesmo sem perceber, em muitos momentos. Por isso devemos estar atentos para que não decepcionemos nosso Senhor.

Padre Antônio Vieira, era um jesuíta nascido em Portugal e que acabou se tornando para os brasileiros um grande pensador dos tempos coloniais. Em um de seus sermões, sendo um destes feito na Capela Real em Lisboa, conhecido como Sermão do Advento, ele faz um alerta com relação aos pecados da omissão e relaciona este pecado com a corrupção do voto, que faz com que o eleitor carregue este peso do pecado da responsabilidade omissa e fraudulenta. Em um dos momentos ele diz estas palavras:

“Examinem muito escrupulosamente suas consciências, e olhem a quem as comunicam; considerem muito devagar as suas obrigações, que são muito mais estreitas do que ordinariamente cuidam; inquiram muito de propósito sobre os danos públicos e particulares (…), e vejam, pondo de parte todo o afeto, se suas orações, ou suas omissões, podem ser a causa.”

E ainda diz, voltando mais para a área política, e que podemos trazer sem sombra de dúvidas para nossos dias:

“Vota o Conselheiro no parente, porque é parente; vota no amigo, porque é amigo; vota no recomendado, porque é recomendado: e os mais dignos e os mais beneméritos, porque não têm amizade, nem parentesco, nem valia, ficam de fora. (…) Miserável é a República onde há tais votos; miseráveis são os Povos onde se mandam Ministros feitos por tais eleições; mas os Conselheiros que neles votaram são os mais miseráveis de todos: os outros levam proveito, eles ficam com os encargos.”

Isso serve para refletirmos e que não fiquemos apenas nas reflexões. Não escreverei um texto longo cheio de sermões, mas a partir do que foi exposto levantarei alguns questionamentos e que cada um reflita de onde estiver lendo este texto: Na nossa vida, quantas vezes nos omitimos, deixando de alertar um irmão para que este não perca tua alma? Pedimos a Deus discernimento para que saibamos agir no momento certo e do modo certo?  E para outras questões cotidianas, como assuntos políticos e ideológicos que assombram nossos dias, ficamos omissos esperando alguém fazer algo ou estamos agindo? Agimos ou ficamos omissos perante situações absurdas que estão acontecendo, no cenário brasileiro inclusive, e ficamos pensando: “ahh..não adianta falar nada mesmo…” ?

São pesadas e pesadíssimas consequências estas? Pois todas elas nascem daquele voto ou daquela eleição de que vós porventura ficastes sem escrúpulo, e de que recebestes as graças (e talvez a propina) com muita alegria. “( Padre Antônio Vieira)

Salve Maria!

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.