Santa Carona

Batalha de Lepanto: a vitória através do Rosário

A oração do Rosário é uma prática piedosa indicada por muitos santos, no qual dedicaram a esta santa devoção vigilante atenção e diligente solicitude. O Rosário considera de modo harmonioso os principais eventos salvíficos da Redenção, que foi realizada em Cristo. E ainda, de acordo com a Encíclica Marialis Cultus, os mistérios do Rosário refletem também o esquema do primitivo anuncio da fé e evoca o mistério de Cristo daquele mesmo modo como ele é visto por São Paulo, no célebre hino da Epístola aos Filipenses: despojamento, morte e exaltação. De fato, na Virgem Maria tudo é relativo à Cristo e dependente dEle, observando que foi em vista dEle que Deus Pai a escolheu Mãe toda santa e a plenificou com os dons do Espírito Santo. A piedade cristã não deixou de realçar essa ligação e a especial e essencial referencia da Virgem Maria ao divino Salvador.

Muitos acontecimentos históricos demonstraram a eficácia do Santo Rosário, no qual teve um papel importante na defesa da fé e da Igreja. Um grande exemplo é a Batalha de Lepanto, no qual acontece a milagrosa vitória da esquadra cristã sobre as forças mulçumanas.   O século XVI foi um século em que se vivia o auge do Renascimento, e inclusive foi um período que levou muitas pessoas a questionarem diversas coisas, inclusive a Igreja e as Sagradas Escrituras. Nesta época surgiu então o protestantismo, anglicanismo, calvinismo e outras religiões que contestavam os ensinamentos católicos. Então a Igreja reuniu o Concílio de Trento, que durou dezoito anos, sendo ele uma resposta à reforma protestante e uma expressão da vitalidade da Igreja ,para enfrentar os enormes desafios que surgiram nesta época.

Outra coisa que preocupava muito a Igreja era as invasões turcas. Boa parte dos países da Europa e também do Oriente Médio estavam sendo invadidos pelos turcos otomanos, que atacavam, saqueavam, destruíam e matavam de modo cruel a população.  E sem dúvidas havia um perigo de instituir uma religião que não ia de acordo com a Igreja fundada por Jesus. Essa preocupação pode ser comprovada devido a documentações na história, no qual relatam o avanço dos turcos em tantos territórios que pertenciam à Republicas e Estados da Europa, então era de se preocupar que em qualquer momento invadiriam Roma.

Na época o papa era São Pio V, que era dominicano, muito devoto de Nossa Senhora e muito apegado à reza do terço. Vendo todos os riscos que a Igreja estava correndo o primeiro passo do papa foi o de instituir um Jubileu Extraordinário no ano de 1570 com uma finalidade especifica: sensibilizar o mundo católico diante deste perigo de invasão do islamismo. Portanto não foi somente de sensibilizar, mas também de se prepararem para afastar o perigo e um eventual ataque. O papa inclusive era ciente da capacidade da frota turca que era uma das mais famosas e bem organizadas e se destacavam pelos exercícios militares no mar e pelas várias vitorias. Então o papa teve a ideia de convidar as principais repúblicas: Veneza, Gênova e a Espanha, aumentando assim a frota. O século XVI foi um período muito complexo e os protestante ao invés de colaborarem com o papa e defenderem o território que também era deles, abandonaram o papa, sendo um desafio a mais para São Pio V.

O papa convocou Marco Antonio Colonna para liderar a organização das frotas cristãs e inclusive naquela oportunidade deu uma bandeira, feita com tecido de seda vermelha com a imagem de Jesus crucificado, o brasão do papa, uma imagem de São Pedro e uma frase em latim que dizia: In hoc signo vinces“, que quer dizer: “ Com este sinal você vai vencer”. Essa frase tem um histórico interessante. No ano de 311/312, houve um contraste sangrento entre dois indivíduos que queriam ser Imperadores de Roma, Massêncio (Maxêncio) e Constantino (filho de Santa Helena). O exército e principalmente Constantino, de repente, viu nas nuvens essa frase em latim “In hoc signo vinces“ e uma cruz, e Constantino venceu a batalha.

Marco Antonio Colona foi encarregado como responsável último da frota cristã, ele conhecendo a capacidade de Dom João da Áustria entregou a este homem a responsabilidade prática da batalha e o lema de Dom João foi uma frase do Salmo 125: “Qui seminant in lacrimis, in exsultatione metent” que quer dizer:“Os que semeiam entre lágrimas colherão com alegria”. Os sofrimentos e preocupações do Santo Padre iriam encontrar consolo merecido. Esta batalha se tratava de uma batalha de defesa, no qual o Papa queria defender o território de Roma de uma invasão turca. O papa fez de tudo para dar um sentido religioso ao preparar a frota. Exigiu preparação espiritual da frota e mandou que isso fosse fiscalizado. Mandou que os membros fizessem jejum de três dias e exigiu confissão geral para que todos pudessem comungar. Pediu que rezassem o terço e mandou distribuir crucifixos, escapulários e muitas medalhas. O papa sabia que a frota cristã estava em grande desvantagem, com relação à quantidade, em comparação à frota turca. Mas sabia que a frota cristã tinha Deus a seu lado e a intercessão da Virgem Maria.

Quando Dom João da Áustria assumiu o governo dessa frota, estabeleceu que os navios provenientes de Veneza, Roma, Gênova e Espanha se encontrassem  no porto da cidade de Messina, no sul da Itália, na ilha de Cecília, e então partiriam todos juntos. Quando estavam decidindo uma data para o ataque, chegou uma notícia muito triste e chocante. O representante da República de Veneza que era proprietário da ilha de Chipre, Marco Antonio Bragantino, fora violentamente morto pelos turcos que invadiram aquela ilha. Toda a sua pele fora arrancada e posteriormente terminaram de tirar a sua vida a pauladas.  Quando souberam da notícia resolveram atacar imediatamente e partiram todos juntos. Depois de organizar uma frota para a batalha, restou papa Pio V “apenas” rezar e recorreu à arma do Rosário e estimulou as pessoas a rezarem muito o terço para o exército cristão enfrentar os turcos. O número de pessoas que compunham a frota cristã era de 50 mil aproximadamente, bem menos que a frota turca. O número de navios cristãos eram de 208 contra 286 navios turcos.

“Pois quando sou fraco, então é que sou forte”. 2Coríntios 12,10.

A batalha de Lepanto aconteceu então no dia 7 de outubro de 1571. Durante a batalha eis que de repente, os soldados turcos e cristãos, viram no céu uma imagem de uma grande Senhora. A frota cristã lutou então com mais força, com a presença de Maria, conseguindo impedir então o avanço dos turcos.

Uma curiosidade: Nos navios turcos haviam escravos cristãos que remavam. Quando eles souberam qual era a finalidade desta batalha, facilitaram para que a frota cristã pudesse invadir os navios em que estavam, e então o sultão Ali-Pacha foi morto e a cabeça dele pendurada na ponta de uma lança e erguida. Quando os turcos viram isso fugiram.

No momento, o papa Pio V, que estava preocupado com a batalha, pois até então não havia recebido notícias, estava em reunião com os cardeais e resolveu então suspender a reunião e se afastou por um momento para rezar o terço. Então no seu escritório, através da janela, tendo o terço nas mãos, teve também uma visão da Virgem Maria. E por uma inspiração divina voltou para os cardeais e disse: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”.

O papa viu Nossa Senhora Auxiliadora, e em sua mente veio o título de Nossa Senhora da Vitória. A informação oficial da vitória não havia chegado ainda. A noticia chegou apenas 20 dias depois, através de um membro da Republica de Veneza, confirmando o que o papa já sabia. O papa não só louvou a Deus, mas também agradeceu de modo muito especial à Virgem Maria. Ele estabeleceu o dia 7 de outubro como dia de Nossa Senhora do Rosário, trocando o título que havia dado primeiramente que era o de Nossa Senhora da Vitória.

A batalhas de Lepanto, os acontecimentos que rodearam este evento histórico e o milagre da Virgem Maria, notoriamente podem servir de inspiração para a nossa vida, inclusive para a vida espiritual. E para vencermos tantas batalhas, temos como arma o Santo Terço. Recorramos sempre à esta arma, que tanto enfurece e derrota o inimigo, e que tanto agrada a Deus e a Virgem Maria

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.