Santa Carona

Creio na Igreja

Não existem 100 pessoas neste mundo que realmente odeiem a Igreja Católica, mas há milhões que odeiam o que eles pensam ser a Igreja Católica. (Venerável Fulton Sheen)

Desde o seu início a Igreja Católica incomoda a muitos e isso não é de se surpreender, pois foi exatamente para isso que ela foi fundada pelo Cristo. “Não jugueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz mas a espada.” (Mt 10, 34). São as palavras do próprio Cristo aos seus apóstolos, quando os preparava para as perseguições que enfrentariam ao saírem para anunciar o seu Evangelho. A missão da Igreja é a de trazer essa espada que toca a consciência humana e gera incômodo, pois anuncia a verdade do Cristo, que rompe com toda a mentira, coloca luz sobre nossos pecados e nos exige passos de conversão. E como diz uma canção simples mas verdadeira: “a verdade incomoda no reino da mentira.”

Mas, enquanto esse icômodo que a Igreja e o seu anúncio da Palavra geram irritação naqueles que nela não creem a ponto de os fazer perseguirem os fiéis, em nós, que somos católicos, esse incômodo deve gerar uma verdadeira e profunda conversão, arrependimento dos nossos pecados e a adesão aos ensinamentos de Cristo. Mas para que isso realmente aconteça precisamos conhecer realmente a nossa Igreja, pois sem o conhecimento cairemos em dois grandes erros. O primeiro de não amá-la como ela merece e o segundo de abandoá-la e nos tornarmos mais um desses que dizem não concordar e até mesmo odiar a Igreja Católica, sem se quer saber os reais motivos para tal ódio, pois a abandonaram antes mesmo de conhecê-la.

É ainda de extrema importância conhecermos bem a Igreja de Cristo, da qual somos membros, para que  possamos ser realmente fiéis a ela e assim a defendermos, ensinando aquilo que é a verdadeira e santa doutrina, contra toda mentira e erro pregados no mundo a seu respeito, ou seja, a nosso. próprio respeito. E sobretudo para que nós mesmos não confundamos as coisas, e não carreguemos sem merecer o nome de católicos, como tantos que por aí encontramos, que na verdade prestam um desserviço ao reino e a Mãe Igreja, associando seu nome com erros, mentiras, heresias e até mesmo pecados. Pois é isso que temos visto, pessoas que se intitulam católicas mas vão contra pontos específicos e claros da doutrina como o aborto, questões sobre a castidade, sacerdócio feminino, indissolubilidade do matrimônio, e questões de fé como a existência de anjos, demônios, inferno e purgatório. Então vamos juntos, nesse texto compreender alguns pontos básicos e essenciais para sermos verdadeiros católicos e crescermos no amor a Igreja de Cristo a qual somos membros.

A Igreja foi fundada pelo próprio Jesus. Após a confissão do apóstolo Pedro sobre reconhecer Jesus como o verdadeiro Filho do Deus vivo, o Senhor lhe confia as chaves do reino do céu e a liderança terrena de sua Igreja: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16, 18). E confirmou o seu pastoreio como primeiro papa, quando após perguntar três vezes se Pedro o amava, e tendo sua resposta positiva lhe confiou: “Apascenta as minhas ovelhas.” (Jo 21, 17). Poder e autoridade estes que passou de um papa a outro até hoje com o atual sucessor de Pedro: Papa Francisco.

A Igreja é o próprio Cristo. Quando Saulo, a caminho de Damasco teve o seu encontro pessoal com Cristo, foi interrogado por Ele, que falava do meio de uma grande luz que chegou a cegá-lo: “Saulo, por que me persegues?” (At 9, 4). Notemos que Saulo, que depois desse encontro seria batizado e se tornaria o apóstolo Paulo, não perseguia a pessoa de Cristo, pois Ele já tinha subido ao céu, e sim aos cristãos, seus seguidores, mas Jesus diz que é Ele que é perseguido quando um dos seus o é. Logo, ser cristão católico significa sermos parte de Cristo. A Igreja, na qual somos membros, é o próprio Cristo.

A Igreja é divina, pois é o corpo místico do próprio Cristo, que é Deus. A Igreja católica é chamada de santa porque segundo o grande apóstolo Paulo: “Como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. […] Há, pois, muitos membros, mas um só corpo.[…] Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.” (ICor 12, 12-27). A Igreja é o corpo místico de Cristo, pois estando Ele ressuscitado no céu, a direita do Pai, deixou na terra a sua Igreja, como membros do seu corpo, em que Ele é a cabeça que, do céu, governa os seus membros, pelo Espírito Santo que nos enviou. E somos nós esses membros, ou seja, a Igreja é viva, pois ela é cada um de nós quando vivemos em união ao Cristo e em comunhão uns com os outros, celebrando os seus mistérios e sacramentos e anunciando o seu Reino pelas nações da terra. E é justamente por isso que ela é santa, pois Jesus é santo, verdadeira e transmissora da verdade, pois Jesus é a própria Verdade e não erra em matéria de fé, pois preserva os ensinamentos do próprio Cristo, que não pode errar. E permanece santa, para além dos erros dos seus filhos, que são pecadores. Por isso São João Paulo II, enquanto papa, e mesmo o papa Francisco pediram perdão pelos erros dos filhos da Igreja, mas percebamos que ressaltam que os erros são de alguns. de seus filhos e não dela, enquanto instituição divina e santa.

A Igreja é uma hierarquia. O Mestre escolheu para si doze discípulos que com Ele conviveram e aprenderam durante seus últimos três anos de vida terrena. Dentre esses doze escolheu a Pedro como líder, para “confirmar os outros irmãos na fé.” (Cf, Lc 22, 32). Ele também escolheu e enviou em missão outros setenta e dois discípulos. No livro de Atos vemos que os apóstolos escolhem no meio da primeira comunidade cristã, homens justos que pudessem exercer o serviço aos demais irmãos por meio do diaconato. Há aqui a imagem das três ordens existentes até hoje na Igreja: a episcopal, que são os bispos, sucessores dos apóstolos, a sacerdotal, que são os padres que estão em comunhão com o bispo e são os seus braços onde ele não pode estar, figura daqueles outros setenta e dois, e a diaconal que são aqueles que ajudam o bispo e os padres na administração dos sacramentos e no serviço aos irmãos. Havendo assim, desde Jesus, uma hierarquia, em que o papel de líder e de pontífice entre Cristo, Cabeça e verdadeiro regente, e os membros da sua Igreja é exercido pelo papa, sucessor de Pedro, e em cada diocese, chamadas de Igrejas particulares, a autoridade maior, depois do papa é a dos bispos diocesanos, aos quais obedecem os sacerdotes, que são obedecidos pelos leigos e religiosos.

A Igreja é una, católica e apostólica. Tal como o próprio Deus é uma perfeita união de três pessoas divinas, a Igreja, enquanto sua imagem, também é una. É belo ver que toda ela obedece a um só e mesmo pastor, o Cristo, representado pelo papa, e que em todos os lugares do mundo se celebram os mesmos sacramentos, as mesmas orações e partilham de uma só doutrina, revelada pelo próprio Cristo, ensinada pelos apóstolos e preservada intacta pelo sagrado magistério, como um verdadeiro tesouro da fé. Foi ainda no segundo século da era cristã, que Santo Inácio bispo de Antioquia usou pela primeira vez o termo católico para designar os cristãos. O termo católico significa universal, ou seja, a Igreja de Cristo é a mesma e única em todo o mundo, com uma só fé e uma só doutrina em diferentes povos e nações. E é apostólica por obediência ao próprio Cristo que enviou os discípulos, antes de subir ao céu, para que fossem “pelo mundo e pregassem o evangelho, fazendo outros discípulos em todas as nações.” (Cf. Mc 16, 15). É também a nossa missão, enquanto batizados, sermos também apóstolos do reino, e sair a anunciar a Boa nova de Cristo entre os nossos amigos e próximos.

A Igreja é mãe, mas tem também uma mãe. Costumamos chamar a Igreja como nossa mãe, pois na pessoa dos bispos e padres ela cuida de nossa alma, nos dando o sustento dos sacramentos, os ensinamentos da Sagrada Escritura, e o cuidado quando caímos por meio da acolhida e do perdão. Mas assim como não pode uma mãe gerar a cabeça de um filho e não gerar o seu corpo, tendo Maria gerado o cristo, cabeça da Igreja, gerou também a nós, seus membros, tornou-se assim a mãe, e rainha por ter um filho Rei, de toda a Igreja. Pois o próprio Cristo nos entregou a seus cuidados, quando na cruz disse a João, discípulo e sacerdote: “filho, eis aí tua mãe.” (Jo 19, 27). E é Maria quem intercede junto de seu Filho por cada um de nós, para que permaneçamos fiéis ao Senhor e obedientes a Ele que fala pela mãe Igreja.

A Igreja somos nós. Todos nós, ao recebermos o batismo, somos lavados no sangue do Cordeiro e nos tornamos parte do corpo de Cristo, somos inseridos na sua Igreja. E assim sendo, temos a grande missão de sermos testemunhas fiéis de Jesus, lutando pela santidade e sendo discípulos, ou seja, aprendendo do Mestre os seus ensinamentos, mas também missionários, anunciando aos outros esses ensinamentos. Devemos assim cuidar do nosso corpo, como templos do Espírito, e da nossa alma, em tudo imitando a nossa cabeça que é o próprio Cristo, e assim sermos  testemunhas responsáveis de mostrar ao mundo a verdadeira face da Igreja, que é a santidade. Que a Virgem Maria, mãe da Igreja, nos ajude nessa missão.

 

 

 

Fernando Silva

Cearense, estudante de Filosofia e católico, que tenta fazer da própria vida uma obra de arte que agrade o olhar apurado do verdadeiro grande Artista: o Senhor.