Santa Carona

O Paço Imperial

Resolvi quebrar a sequência de textos sobre as ideologias, pois ontem (02), aconteceu uma tragédia, a qual nos deveria deixar de coração doido. O Museu Nacional, antigo Palácio da Quinta da Boa Vista, ou Palácio São Cristovão, ou ainda Paço Imperial de São Cristovão, acabou em chamas. Nossa história, os melhores dias de nosso país, estavam em grande maioria no Museu.

Em 1808, por motivos políticos, Dom João VI veio para o Brasil. Vale salientar que o Brasil não era colônia, mas parte importante do reino, do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves. O monarca vinha fugido de Napoleão Bonaparte, que estava massacrando os reis que não se uniam a ele. Entretanto o Brasil não era só para escapar, Dom João VI acreditava que o futuro estava no Novo Mundo. Acreditava de tal modo que o Rio de Janeiro, por algum tempo foi a capital desse Reino Unido. Os que moravam em Portugal, não podemos dizer portugueses porque todos eram portugueses, sentiam ciúme do Brasil, de como o Rei gostava destas terras.

Dom João VI precisava de um bom lugar para ficar, afinal era a residência do Rei, a corte estava de mudança para o Brasil. Então nas terras da Quinta da Boa Vista, havia um belo casarão de um rico comerciante, escolheram pois este para ser residência do monarca. O casarão assim, passa a se chamar Paço Real.

O Paço Real de São Cristovão então passou por adaptações, Dom João VI adorava o lugar e constantemente se via pensando em viver o resto de sua vida ali. Contudo, como bom monarca, Dom João sempre pensava no governo do reino, algumas situações aconteceram obrigando a volta do bom Rei a Portugal. A saber: Napoleão fora derrotado, o território de Portugal agora estava livre, entretanto alguns portugueses revoltosos estavam ameaçando um golpe caso Dom João não voltasse. Para a estabilidade e continuidade o Rei resolveu voltar, mesmo querendo ficar no Brasil, mesmo vendo que no Brasil estava o futuro.

Dom João VI retornou a Portugal, mas para a surpresa dos revoltosos este voltara sem o filho e príncipe Dom Pedro de Alcântara, Dom João resolveu o problema em Portugal e lançou as bases de um futuro promissor no Brasil.

Dom Pedro I casara-se em 1817 por procuração com a Arquiduquesa Maria Leopoldina. Este casamento era promissor, pois unia duas importantes famílias e mudaria a historia do Brasil. Leopoldina veio morar no Brasil e com Pedro residiam no Paço Imperial. O príncipe então fez também algumas reformas no palácio. Este palácio assistiu o nascimento de Dona Maria II, que se tornou rainha de Portugal, e o nascimento do magnânimo Dom Pedro II.

No dia 02 de setembro de 1822, neste mesmo Paço Real dona Leopoldina, aconselhada por José Bonifácio de Andrada, assinou a independência do Brasil, pois Dom Pedro I estava em viajem para São Paulo. O Brasil independente teve como regente interina Dona Leopoldina. Ainda no Palácio São Cristovão, aconteceram os primeiros passos do Império do Brasil, Dom Pedro recebia ali nobres da época e os conselhos de Bonifácio para o crescimento da nação. Também ali veio a falecer em 1826, a imperatriz Dona Maria Leopoldina no mesmo Palácio.

Dom Pedro II, crescia ali no Paço, seu pai, teve que voltar a Portugal, devido a outra revolta e para o auxilio de seu pai Dom João VI. Enquanto o Brasil era governado por regentes, Pedro II crescia e era cuidado por José Bonifácio, da formação que o santista lhe deu não podemos dizer nada de mal, Dom Pedro II tornou-se um homem erudito e honesto, um ótimo imperador para a nação.

Em 1850 Dom Pedro II propôs uma reforma no Paço Imperial, este gostaria que o Palácio tivesse as características da casa de um monarca, ou seja, que fosse bem imponente, mas que conservasse a cultura brasileira. Ouviu muitos nobres e pessoas cultas da época e deixou o palácio ainda mais deslumbrante.

O Paço era dividido em três pavimentos: o primeiro era destinado a serviços gerais e primeiras recepções; o segundo era um pavimento mais ornamentado que tinha como função receber os visitantes mais ilustres; e o terceiro era constituído de dormitórios e demais áreas da família.

Com a proclamação da República, o Paço foi transformado em museu, abrigando fosseis de dinossauros, o fóssil de Luzia, meteoros, tumbas egípcias, alem de belas obras de arte, utensílios do lar de um imperador, e muitas outras coisas. Entretanto não só essas coisas tinham que ser conservadas, mas os símbolos implementados por Dom Pedro II na reforma, o jardim das princesas onde brincava Dona Isabel, a Redentora, a sala de apresentação do imperador. Enfim, tudo nos era muito caro.

Algumas personalidades visitaram nosso Museu Nacional, como Albert Einstein, Madame Curie, Santos Dumont, Lévi-Strauss, dentre outros. Pesquisadores da América Latina e de demais países do mundo estudavam nosso Museu, nossas peças. Era um acervo riquíssimo e precioso, contava com peças únicas.

Com a República veio o caos, varias vezes se noticiavam no jornal O Globo, ou na revista Veja, ou ainda nos demais veículos importantes de comunicação, que faltavam investimentos para preservar esse patrimônio. Mas os republicanos são assim, só se preocupam com suas ideologias e com dar ao povo pão e circo. Vários milhões são dispensados pelo governo federal para a Lei Rouanet, em que se financia personalidades já consagradas e que não precisam de dinheiro. Milhões são investidos em estádios para a copa do mundo, sabemos que houve superfaturamento e que obras até hoje não foram entregues. Vimos o governos apoiando com recursos o museu moderno que exibiu uma “arte” pornográfica e pedófila. Enfim se investe em tudo, menos em recuperar a memória nacional.

Isso é cômodo aos republicanos, este regime desde que foi implantado, busca apagar nossa memória. Tentam ocultar a beleza dos feitos do império do Brasil, pois se o povo souber vai pedir o fim desse sistema corrupto e a volta do Brasil autêntico, o Brasil imperial.

Este incêndio não foi acidental, foi um crime da República, que omitiu os cuidados necessários, foi criminoso ainda, pois como diretor do museu, tínhamos o reitor da UFRJ, um psolista, irresponsável e corrupto.

Não há quem suporte a república, este pesadelo começou em 15 de novembro de 1889. Machado de Assis já alertava: “Peço aos deuses que afastem do Brasil o sistema republicano”. Marechal Deodoro quando viu o caos instalado arrependeu-se e se lamentando escreveu para Dom Pedro II, “Me perdoe Imperador, eu não sabia que a república era isso”.

Só podemos dizer como Dom Pedro II, “E entre visões de paz, de luz, de gloria, sereno aguardarei no meu jazigo a justiça de Deus na voz da história”.

Thiago Lima

Direto de Vila Boa. Interessado em tudo que o mundo moderno desconhece. Aceito um café. Cum gaudium et Pace!