Santa Carona

10 SUPER-HERÓIS CATÓLICOS

Os super-heróis dos quadrinhos, e que agora tomaram as telonas dos cinemas e as séries de televisão, são fabulosos por enfrentarem perigos que não podemos enfrentar, e assim, mostrara a bravura e altruísmo que gostaríamos de ter e demonstrar. São nossos modelos, como os semideuses eram dos gregos e os cavaleiros andantes eram dos medievais. O que nos atrai nos super-heróis não é o colam colorido ou mesmo os superpoderes, mas a humanidade que eles não perdem, mesmo quando põe a máscara. Daí que hajam heróis sem poderes e mesmo assim os curtimos. Porém, nessa humanidade toda esta expressa sua religião, fator natural ao ser humano. Alguns são protestantes, como o Capitão América (WASP), outros são judeus como o Magneto e outros são ateus, como o Sr. Fantástico. Mas é claro que há heróis católicos apostólicos romanos, e decidimos elencar dez deles para os senhores, desde os mais explícitos aos mais discretos.

1. DEMOLIDOR (DAREDEVIL)

Mathew Murdock é o advogado cego que se veste de diabo atrevido para lutar com ninjas nos telhados de Hell’s Kitchen. O catolicismo desse herói é bem explícito, mesmo no seriado ou naquele seu filme horroroso o vemos confessando ou rezando na igreja de São Mateus (onomástico dele). O curioso é que Matt se veste de demônio, pois não acha justo fazer justiça com as próprias mãos, mas vê que é preciso, então é o mal necessário durante a noite e o homem justo e bom que trabalha para a lei durante o dia. A fantasia demoníaca revela a luta constante no interior do home católico que sabe-se capaz de todos os males, mas é sustentado pela misericórdia (já fiz uma reflexão sobre esse assunto, VEJA AQUI).

2. HELLBOY

Ainda na pegada do catolicismo enquanto luta com seus demônios internos, Hellboy apresenta-se não como alguém com veste de demônio, mas como um demônio mesmo, literalmente. Mas acalme-se, podemos dizer que Anung um Rama (seu nome verdadeiro) é um “demônio convertido”. O herói é filho de um demônio com uma bruxa e foi trazido das profundezas do inferno de onde nasceu por um ritual feito por Rasputin e os nazistas (toda capetagem é pouca!) para trazer o apocalipse, mas Anung foi encontrado pelo professor Trevor Bruttenholm que não quis matar o baby demon, mas educou-o. Desde então, Hellboy renuncia sua natureza diabólica, raspa seus chifres e tenta salvar o mundo, isso tudo porque entre os valores que recebeu do professor Bruttenholm está a fé católica, que é perceptível no rosário que o “ex-demônio” reza e traz sempre na cintura.

3. NOTURNO (NIGHTCRAWLER)

Quando a revista Os Fabulosos X-Men parecia chegar ao fim, o artista Len Wein decidiu assumi-la e reformulá-la. Uma das coisas que fez foi expandir a equipe original (Professor X, Ciclope, Anjo, Fera, Garota Marvel e Homem de Gelo), toda estadunidense, e inserir novos mutantes, cada um de um país, e com os traços típicos da sua terra. Foi assim que surgiram vários dos x-men que conhecemos hoje. Kurt Wagner é alemão, da Baviera, e como seu conterrâneo Bento XVI, teve educação católica, não por seus pais – Mística e Azazel (o diabo vermelho de X-Men: Primeira Classe) – mas pelos artistas de circo onde cresceu como aberração infernal a ser exibida. Noturno veio ao Instituto Xavier, mas não deixou de ser católico: no filme X-Men 2 recita trechos bíblicos e reza orações vocais e nos quadrinhos já deixou o grupo mutante para seguir a vocação sacerdotal, chegou a exercer o ministério, mas a linha cronológica dos X-Men é complicada (nos quadrinhos e nos cinemas!) e esse futuro foi deletado (se você leu o texto que marquei acima, viu ele de clergyman). Não preciso falar do lance da aparência de demônio de novo.

4. GAMBIT

Remy Etienne LeBeau é um cajun, isto é, descendentes dos acadianos, colonizadores franceses expulsos do Canadá após a Guerra dos Sete Anos e que se fixaram na Luisiana, uma antiga colônia francesa que atualmente é um estado do sul dos Estados Unidos da América. Como seu povo, é católico. Mas Remy não é certamente um praticante, certamente por sua ligação com o Sr. Sinistro. Também, alguém com poderes de energia cinética, que pode transformar qualquer coisa em uma bomba, mas o faz com cartas porque é viciado em pôquer (apostado!), não é bem um católico praticante. Mas Gambit não abandonou por completo sua fé, algumas vezes ela já se manifestou até nas suas ações, o que leva seu par romântico, Vampira, a chama-lo de “garoto católico”, o que mostra que a fé que recebeu na infância permanece de uma forma e outra. Um trecho bem icônico é quando ele e Vampira usam de telepatia para namorar (não dá para tocar na Vampira sem morrer, lembra?) e Remy deve escolher o lugar, seu inconsciente acaba escolhendo o Jardim do Éden. Queria muito ver um filme desse x-men!

5. BANSHEE

Lembra-se dele? Talvez não. Esse mutante aparece em um único episódio da série animada, mas compõe a equipe de X-Men: Primeira Classe. Ainda seguindo o esquema de que cada mutante tem a característica do país de onde veio, o irlandês Sean Cassidy é católico. Seu poder é dar gritos hipersônicos, o que ele utiliza não só para explodir o tímpano dos inimigos, mas para voar e até mesmo como radar (no estilo dos morcegos). Esse seu nome é uma referência a uma lenda irlandesa, que conta de uma fada maligna que grita até explodir a cabeça das pessoas. Consigo imaginar facilmente Sean Cassidy celebrando o Saint Patrick’s Day.

6. MANCHA SOLAR (SUNSPOT)

Mesmo esquema dos mutantes Noturno, Gambit e Banshee: Roberto da Costa é católico porque é natural de um país de maioria católica, o Brasil (já ouviu falar nesse país?). Isso mesmo, existe um x-men brazuca! Ele já apareceu nas telonas em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, em uma cena épica em que lança chamas solares em uma sentinela. Roberto descobriu seus poderes quando ficou esquentadinho (com o perdão do trocadilho) em uma partida de futebol (mais brasileiro impossível!), ele foi então arrastado por um vilão, mas terminou conhecendo o Professor Xavier e fazendo parte de um “time B” dos X-Men chamado “Novos Mutantes”. Roberto já fez parte da equipe dos Vingadores, mas usando o codinome Cidadão V no lugar de Mancha Solar. Chupa essa quem achou que brasileiro na cultura pop era só o Blanka e o Zé Carioca!

7. JUSTICEIRO (PUNISHER)

Frank Castle teve dois filmes bem ruinzinhos, mas parece ter sido resgatado no seriado. Nosso ex-fuzileiro era um home de bem, com uma boa família com que ia à Missa aos domingos. Acontece que ele perdeu sua família, de forma brutal, e com ela a sua fé e sua sanidade. Frank decidiu fazer justiça com as próprias mãos, sendo instrumento da ira para remover os malditos da face da terra. Embora eu não imagine Castle lendo as mensagens do Papa Francisco sobre a misericórdia, é possível notar perfeitamente a boa índole do herói que não faz mal a um cachorrinho que seja, se ele ver que é alguém de bem, não envolvido com o crime. O anti-herói pode não ser um modelo de altruísmo, mas vive seus valores a sua maneira, o que ficou bem claro em Guerra Civil, quando salvou a vida do Homem-Aranha (espancado por vilões a mando de Tony Stark) e, em uma discussão, permitiu que o Capitão América (com o ânimo exaltado) lhe batesse, pois Frank combate criminosos, não heróis.

8. CAÇADORA (HUNTRESS)

Como Frank Castle, Helena Bertinelli presenciou o extermínio de toda a sua família por mafiosos, fugindo para a casa de parentes (também mafiosos) na Sicília, onde aprendeu mais do que a fé católica. Helena voltou com sede de vingança para eliminar os culpados e exercer justiça com as próprias mãos, tornando-se o que chama de “o Justiceiro mulher” ou “o Justiceiro da DC Comics”. A Caçadora não tem bem aquele código de honra de nunca matar, pelo contrário, o que já fez com que trocasse pancadas com o Batman. Ela já apareceu no seriado Arrow, mas está bem diferente do que é nos quadrinhos. Atualmente integra o grupo das heroínas chamado “Aves de Rapina”. É curioso notar que a heroína tem desde o seu primeiro uniforme o símbolo da cruz no peito. Seu uniforme mudou um pouco com o tempo, mas a cruz sempre permaneceu como seu sinal. No seriado ela usa um crucifixo no pescoço (como sua primeira versão nos quadrinhos), mas o papinho é de que ela nem é católica de verdade, foi só um presente do namorado. Dá até vontade de pegar a besta da caçadora e dar um tiro na cabeça desses produtores cabeças de pastel.

9. MULHER-GATO (CATWOMAN)

A vilã mais amada de todos os tempos não é bem uma heroína, mas verdade seja dita, ela também não é bem uma vilã de fato. Selina Kyle não é uma católica piedosa, mas cresceu em um orfanato religioso e recebeu instrução católica, embora não a tenha seguido, sem dúvidas deve ter recebido ali os sacramentos iniciais. Selina saiu do orfanato e se tornou uma ladra gatuna, mas sua irmã que cresceu com ela no mesmo orfanato foi bem menos rebelde. Maggie Kyle seguiu vocação religiosa e tornou-se a Madre Magdalene, mas mostrou que a ação está no sangue das Kyle e acabou desenvolvendo habilidades, como a de hipnose, tornando-se a vigilante de codinome “Sister Zero”. Vale ainda lembrar que Selina já esteve no Vaticano, infelizmente não foi para ver o Papa, mas para roubar algo da máfia que estava escondido na Basílica de São Pedro.

10. HULK

Deixei esse para o fim porque sei que seria surpreendente. O Golias Esmeralda é, ao lado do Homem-Aranha, o herói mais popular da Marvel, um dos poucos que tinha seu desenho próprio no começo das grandes sagas e o primeiro a ir às telonas de cinema levando a Marvel Studios a começar o que desembocou, dez anos depois, em Os Vingadores: Guerra Infinita (Blade, Homem-Aranha e X-Men não eram produção Marvel, que tinha vendido os direitos). O fato é que o Dr. Roberto Bruce Banner é sim católico! Isso já foi declarado até mesmo pelo L’Osservatore Romano, jornal do Vaticano (CONFIRA). Bruce Banner já foi representado com um rosário na mão, seu casamento com Betty foi em uma igreja católica com um sacerdote católico (imagine o Bruce fazendo curso de noivos) e em uma de suas mortes (nos quadrinhos todo mundo morre e volta, menos o Tio Bem, triste!), seu velório foi católico, com crucifixo, exéquias e tudo. O que eu acho muito interessante nem é só o fato de Banner ter dentro de si um monstro (a coisa do demônio interno dos três primeiros heróis dessa lista), mas o fato de ser um cientista, a quarta mente mais inteligente do universo Marvel (perdendo para Reed Richards, Anthony Stark e Victor von Doom, respectivamente), e não ser ateu, mas um homem que vive sabendo que a fé e a ciência não são inimigas, mas complementares.

MENÇÃO HONROSA:  ZORRO

Embora não seja bem um super-herói de histórias em quadrinhos, cabe aqui fazer uma menção honrosa ao personagem que inspirou a criação dos super-heróis mascarados, o mais evidente é, sem dúvidas, o Batman. Don Diego de la Veja é um jovem aristocrata da Califórnia, enquanto essa se encontrava em domínio mexicano (de 1821 a 1846). O jovem decidiu ser o defensor dos pobres e oprimidos, contra políticos cruéis e malfeitores. Usando um alterego para proteger sua integridade, o herói usa uma máscara e o codinome Zorro (“zorra” é raposa em espanhol, nome esse pela sua astúcia). Diego é não só um bom esgrimista, mas um bom católico, seu conselheiro e amigo é o Frei Felipe. Nada digno de espanto, é claro, Zorro é um herói mexicano, e eu não duvido que seja até guadalupano. ¡Que viva el Cristo Rey!


A intenção dessa lista foi mostrar como a vivência da fé é algo integral da vida humana e que é possível vivê-la em conformidade com qualquer situação em que se encontre, tendo-a por norte ou não, ela sempre vai te direcionar. Além do mais, uma vez que são tantos agora que estão nos cinemas e na cultura pop em suas manifestações, acho que seja válido conhecer os heróis que estão unidos conosco na comunhão dos santos. E não se esqueça, viver bem o catolicismo, com todas as práticas e busca das virtudes já é uma forma de ser herói. E digo mais, a prática da caridade verdadeira é muito mais nobre que qualquer altruísmo que te leve a querer vestir um colam e andar nos telhados trocando socos pela madrugada.

Carlos Neiva

Um lorde inglês preso em um corpo brasileiro. Apaixonado por Literatura e, por isso, graduado em Letras. É seminarista da Diocese de Anápolis. Sente um desejo profundo de dominar o mundo e, enfim, instaurar a era da zoeira.