Santa Carona

A evangelização na Igreja do Brasil

O presente artigo é um comentário ao documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

Identificamos na Igreja, o lugar do verdadeiro encontro com Deus, por seu Filho Jesus Cristo. Deste encontro surge a fé e a vivência diária com a Pessoa encontrada. Por isso o discípulo missionário deve ter um espírito caritativo para promover a justiça, a paz, a fraternidade e a reconciliação.

Deste modo, atende-se o apelo do Papa Francisco, “uma Igreja em saída” (Evangelii Gaudium, 2013 n.20). Missionária e disposta a levar a todos os povos a mensagem libertadora de Jesus Cristo.

Vivemos atualmente uma época de mudanças que afeta o povo e também suas crenças mais profundas. A banalização da vida, a falta de segurança e de investimentos nas necessidades básicas do povo, torna o homem e a mulher mais sofridos, a isso se soma a corrupção que cerceia as possibilidades de mudanças no horizonte. Enfim a crise atual, tanto econômica, política e moral, são crises antropológicas que desconsideram o valor e a essência das pessoas, rejeitando os princípios e a Deus.

O surgimento de muitas seitas que se aproveitam dessas situações é outro perigo eminente, as pessoas sensibilizadas e sem instrução se vêem vitimas de discursos variados, que prometem, dentre outras coisas, a prosperidade e a felicidade. Na comunidade católica, muitas pessoas se sentem excluídas pelo desinteresse comunitário, pelo mundanismo em alguns membros e a linguagem inacessível adotada por alguns pastores. A passividade dos leigos no contexto social e as vantagens e privilégios que se tenta obter, são traços que desanimam os fieis nesta época.

Para que estas dificuldades sejam superadas os discípulos missionários não podem ser acomodados, mas atento e animado pelo Senhor a trabalhar pelos irmãos e irmãs.

Observamos o crescimento do trabalho dos jovens na Igreja, que com espírito missionário empregam suas energias para alcançar a todos, o que é um sinal de esperança para o futuro. Notando a presença dos desafios os discípulos modernos se revestem de novo ardor.

A Igreja, deste modo, permanece em estado de missão, seguindo o exemplo de seu fundador Jesus Cristo. Anunciando a pessoa de Jesus e dando continuidade ao trabalho missionário dos discípulos. Motivados pela certeza da vida em Cristo, a atitude missionária da Igreja visa ir ao encontro dos mais pobres e dos que precisam ser alcançados pela luz do Evangelho, capaz de iluminar as trevas e mazelas humanas.

Todos somos a Igreja, por isso devemos aderir a essa atitude de renunciar as comodidades e ir ao encontro dos que mais precisam nas periferias humanas. Assim cada cristão católico é enviado em missão, pelo próprio Cristo, para apresentar a todos com dinamismo e clareza a novidade do Evangelho e a alegria de se caminhar com Jesus.

É necessário que todos tenham uma mentalidade missionária, que os ultrapassa as fronteiras. Todos os batizados são chamados a esse trabalho, desta forma todas as atividades pastorais devem se preocupar com que seus membros tenham esse ardor. Que renova as estruturas da Igreja, adaptando-se as necessidades de cada época e deixando para trás os artifícios que já não dão frutos na evangelização. Essa atualidade é característica do Evangelho.

Nesta atitude missionária é importante que a Igreja acolha os novos membros, fruto dessa missão, como Mãe e Mestra, que inicia seus filhos na fé. A catequese deve ser dinâmica e atrativa, para que os conversos se sintam atraídos por essa novidade proporcionada por Cristo. Deve levar o catecúmeno a compreensão da fé e ao amadurecimento, um trabalho feito com paciência e amor. A vida comunitária deve também ser uma catequese, que todos dêem bom exemplo e se amem como propõe o próprio Cristo.

O cuidado com a liturgia deve ser também uma preocupação, o discípulo missionário se abastece na liturgia e para ela convergem seus esforços, para que os catecúmenos experimentem nela o serviço de Deus. Deve ser fonte de alegria e formação para a comunidade.

Neste contexto a formação e o contato com a Palavra de Deus são indispensáveis ao discípulo missionário, para que anuncie a todos o próprio Cristo por ele conhecido nas Escrituras. Transmitir com consciência e convicção o Evangelho, para que as novas gerações se sintam envolvidas e motivadas. Só assim, pode-se introduzir na fé a todos que chegam.

Deve-se ter hoje uma familiaridade com as Escrituras, para que sejam fontes de inspiração no meio das atividades do dia-a-dia, preparando-se para as questões propostas pelos que lhe cercam. E que seja ânimo no caminho da vida, sendo uma luz que ilumina nos momentos de dificuldades.

O discípulo deve ser atento a voz de Deus nas Escrituras, uma vez que esta é atual e importante para todas as pessoas, independente de sexo, idade ou condição social. Desta forma deve-se acolher esta Palavra como o próprio Cristo, para que se viva a comunhão com Deus e com a Igreja. Acolhendo e praticando a Palavra de Deus, o missionário, participada de toda comunhão da Igreja, sendo um só com ela.

O contato com a Palavra de Deus, que é uma luz, anima toda a pastoral para se fazer o estudo e interpretar, a luz do Magistério. Assim realiza-se a formação, a oração e a comunhão do discípulo com toda Igreja, fazendo que se espalhe pela comunidade o desejo de santidade a todos.

Para os cristãos católicos a vida em comunidade é de suma importância, a alegria de se conviver com o outro que é seu irmão, buscando romper as barreiras do individualismo e vivendo com união e solidariedade. Neste sentido as paróquias têm papel fundamental, acolhendo a todos com dinamismo e reforçando a mentalidade missionária.

Essa vida comunitária se expressa de diversas formas, as pessoas se organizam em diversos grupos, de maneira que a comunidade tenha varias comunidade que se juntam porque as personalidades dos fieis vão se parecendo e estes vão se unindo, ligadas ao seu estilo de vida.

Não podemos permitir a existência de comunidades fechadas e quem não tenham espaço e abertura para outros e para a comunhão com as demais comunidades. O que deve diferenciar a comunidade cristã é a fraternidade e a abertura aos demais, tendo boa convivência e disposição para superar as adversidades e a diversidade.

Neste contexto, a Palavra de Deus ilumina toda sociedade e nos coloca na luta pela vida em todas as suas fases, pois Deus é quem dá a vida, e Ele é quem tira. A Igreja e seus discípulos missionários devem implantar na sociedade uma cultura da vida, defender o direito do nascituro de nascer. Reconhecer a importância da vida, faz com que cuidemos dos mais pobres e necessitados, isso torna o meio mais justo e fraterno.

Para que o direito dos mais excluídos seja garantido, a Igreja incentiva que os fieis leigos e leigas trabalhem no mundo político e nas suas estruturas para que todos possam ser atendidos e amparados. E insiste na formação dos fieis para que possam atuar nos movimentos sociais com clareza e coerência com a fé.

Encerramos com um apelo: “Anuncie”. Todos somos missionários da verdade que transmitem aos que estão ao nosso redor a Alegria do Evangelho.

Thiago Lima

Direto de Vila Boa. Interessado em tudo que o mundo moderno desconhece. Aceito um café. Cum gaudium et Pace!