Santa Carona

MAIS QUE UMA ELEIÇÃO, UM EXPURGO

O dia é 28 de outubro de 2018, ás 20:30 horas, uma efusão de sentimentos acomete a nação, uns se debatendo em lágrimas, outros soltam foguetes, buzinam como criança que acabou de ganhar brinquedo novo, no mais sincero arroubo de euforia e felicidade. Mas o que há a se lamentar e comemorar?

Finda a corrida eleitoral mais “emocionante” da história recente dessa terra de Santa Cruz, a mais baixa da história do Brasil, mais imoral que Sodoma e Gomorra, o país passou pela maior faxina política de sua história. Caíram a maioria dos caciques, pajés, coronéis, Mundinhos Falcões, Ramiros Bastos e tutti quanti, foram aposentados compulsoriamente da vida pública brasileira.

Algumas lições hão de se tirar de tudo o que aconteceu desde o impeachment da presidentA Dilma Rousseff – ensinamentos estes que a intelligentsia brasileira sequer notou do alto das varandas de seus apartamentos de luxo em São Paulo e Rio de Janeiro, bem como das redações e cidades cenográficas espalhadas pelos “PROJACS” da vida, ressalvadas algumas exceções que confirmam a regra. O establishment brasileiro, seja ele político, jornalístico, cultural e até religioso, dentro do invólucro blindado de toda e qualquer ameaça vinda da sociedade, que não compactue com a baixaria reinante sobre os eventos oferecidos por essa gente, onde tudo é liberado e qualquer sintoma mínimo de certa consciência moral é prontamente reprimido e/ou repreendido como pecado mortal contra o “clube”, fazendo o Baile da Ilha Fiscal oferecido pela Princesa Isabel parecer uma festinha infantil.

Francamente, esses elementos já não conseguem externar a verdade dos fatos que acometem o Brasil, porque são eles mesmo a principal causa dos piores males os quais padecem e confundem tanto a consciência quanto a alma do brasileiro, que há anos não conseguem mais refletir o real estado de coisas, mas como poderiam? Vivem em um universo absolutamente paralelo, com valores forjados artificialmente, todos oferecidos em uma bandeja mediante contorcionismos verbais que os fazem parecer a mais inocente e pura das ambições da alma humana!

O brasileiro – cumprindo o que diz Ortega y Gasset: como um náufrago em meio a morte eminente, congelado pela água, de fome ou servindo de banquete os animais ferozes que ficam na espreita aguardando para saborear tão deliciosa refeição, se agarra a qualquer apoio minimamente firme encontrado por perto – segura na mão de Deus e vai, prende-se em sua maioria aos seus valores de base, procura proteger àquilo que tem de mais caro, sua liberdade, de culto e de expressão, família, e todos os valores herdados milenarmente, advindos do cristianismo, bem como toda a bagagem por ele trazida.

Evidente que o principal motivo das lágrimas da intelligentsia, do establishment brasileiro são por eles absolutamente desconhecidos e os que são conhecidos são prontamente ignorados, o orgulho débil ante o estado de coisas os impede de curvar-se perante os valores da maioria esmagadora da população brasileira. A classe “letrada” brasileira demoniza tudo o que lhe é estranho e serve como confirmação para o estudo do Sr. Freud, de que projetar no outro suas frustrações, é o melhor expediente para nos livrar de culpas que nossa consciência rejeita.

Por essas e outras razões digo, estamos presenciando mais do que uma simples corrida presidencial em um país subdesenvolvido, testemunhamos o verdadeiro expurgo, onde bem ou mal, pela primeira vez na história nacional o povo chamou para si o protagonismo e a dianteira nos rumos da nação.

 

 

Autor: Tiago Oliveira.

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