Santa Carona

Uma janela para o mundo

A televisão, desde a sua criação, vem causando uma grande influência no comportamento das pessoas, seja de maneira positiva ou negativa. No início, esta janela para o mundo foi até vista como algo bom, que pudesse reunir a familia na sala para assistirem a algum programa diferente. Mas com o passar do tempo esse cenário de “reunir para algo bom” foi mudando, e foi ficando cada vez mais difícil reunir adultos e crianças em um mesmo local, para assistirem a uma mesma programação, sem se preocupar se irá passar algo inapropriado.

Essa preocupação pode até parecer atual, mas ela vem caminhando há muito tempo. Na Carta Encíclica sobre a Cinematografia, a Rádio e a Televisão, o Papa Pio XII em 1957, manifesta sua opinião sobre estes meios de comunicação, inclusive sobre a televisão, que estava avançando em uma velocidade considerável para dentro dos lares. Ele vê alguns benefícios e até orienta a Igreja sobre como utilizar estes meios para a evangelização. Mas também faz vários alertas sobre o que estava acontecendo e o que poderia acontecer caso as famílias não tomassem cuidado com a televisão, no qual muitos destes alertas se concretizaram. É interessante o que o próprio papa Pio diz com relação a isso: ” o espetáculo penetrou no próprio lar familiar, ameaçando os diques salutares com que a sã educação protege a idade tenra dos filhos, até conseguirem adquirir a necessária virtude antes de defrontarem as tempestades do século”. 

O Papa Pio XII orienta neste documento que todos, inclusive os jovens, tenham prudência e moderação cristã ao assistirem televisão, irem ao cinema e ouvirem o rádio, sendo este último muito comum na época, principalmente devido às radionovelas. Hoje podemos acrescentar ainda a internet, que exerce uma enorme influência sobre a sociedade.

A televisão devido a sua diversidade de programações, inclusive para diferentes idades, vem causando divisões no seio familiar, onde cada pessoa da família acaba indo para um cômodo da casa, com sua própria televisão, por exemplo. Mas recentemente vem surgindo uma “nova técnica”, ruim inclusive, que visa reunir a família, porém diante de programações que fazem a sociedade crer que “tudo é normal”. Essa técnica aborda um viés ideológico e vem incutindo essa forma de pensamento na mente das pessoas, principalmente de crianças e jovens, que são o alvo preferido. A televisão se tornou uma ferramenta de manipulação em massa, que visa controlar as famílias, caso não fiquem atentas.

“Uma pequena porção de fermento corrompe toda a massa. Se na vida física dos jovens um gérmen de infecção pode impedir o desenvolvimento normal do corpo; quanto mais, um elemento permanentemente negativo na educação poderá comprometer o equilíbrio espiritual e o desenvolvimento moral! E quem não sabe como, tantas vezes, a própria criança que resiste ao contágio de uma doença na rua, se mostra falta de resistência se a fonte do contágio se encontra na própria casa?” ( Carta Encíclica sobre a Cinematografia, a Rádio e a Televisão, Papa Pio XII, 1957)

Tem uma questão que se torna muito preocupante que é o conhecido “conteúdo adulto”. Ora, os adultos não devem ser exemplo para os mais novos? Porque permitir que determinados conteúdos entrem dentro de casa? O conhecido conteúdo adulto, resumidamente falando, é composto por pornografia, sexo, violência etc. Em que isso acrescenta? Que benefícios traz? Não é porque a classificação indicativa diz que o conteúdo é para adultos, que o adulto seja obrigado a assistir.

Até mesmo nos programas de classificação infantil as famílias precisam estar atentas. Pois se no conteúdo adulto a informação chega de forma aberta, em uma programação infantil pode vir de forma disfarçada, como se fosse algo inofensivo, dependendo do caso.  Em relação às crianças não basta apenas proibir assistir determinado programa ou desenho, é importante explicar o porque não acompanhar determinado desenho, por exemplo, e apresentar-lhes um caminho. Senão fica algo incompleto. A criança precisa compreender também que há algo mais além da televisão e da internet, no qual ela pode se divertir de forma saudável, desenvolvendo a imaginação, sem comprometer sua inocência. E no caso de assistir à televisão, a criança precisa aprender que há programas e desenhos que elas podem assistir como alternativa, e claro, é bom explicar o porque aquele desenho ou programa pode.

O papa João Paulo II dizia que a televisão pode sim prejudicar a vida familiar, pois propaga valores e comportamentos degradantes, no qual transmitem pornografia e imagens de violência brutal, inculcando formas de relativismo moral e de ceticismo religioso. Atualmente muitas informações chegam ao público de forma distorcida, no qual muitas delas enaltecem também imagens falsas sobre vida.

É importante dizer que não podemos generalizar e dizer que todos os conteúdos apresentados na televisão são ruins. Há sim programações interessantes, canais bons (poucos, mas existem) que podem ser aproveitados pela família. A televisão e nem a internet devem ser o centro da casa e nem janelas para a perdição. As pessoas devem aprender a separar o que é bom e o que é ruim, o que acrescenta e o que degrada. Devemos lembrar que, se Deus é o centro de nossa casa, como Ele gostaria que nós agíssemos?

 

 

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.