Santa Carona

Eu sou terça-feira

 

Eu sou terça-feira,
Tenho energia renovada.
Estou no começo, tenho gana,
Tenho inspiração, sou poeta.

Eu pego a caneta com ligeireza,
Corro até o bloco de notas.
Eu preciso escrever, sou poeta.
Me sento, o vento me bate a cara e …

E não sai nada!

Eu tento, eu penso.
Me espremo e não sai nada.

Imediatamente começo a me destruir,
Sou fraco e sem vontade.

Sou uma terça-feira de ressaca.

Tento de novo.
Pego a caneta que eu não tinha largado,
Mas o branco do papel me deixa tonto.
Eu diria zonzo, sim zonzo.

Sobe-me a boca um grito,
Mas como não ganha som, doi-me o estômago.
A mão fica trêmula, o rosto pálido.
Eu experimento na boca o gosto do fracasso.

Então eu ando de um lado para o outro.
Eu corro, sento, deito-me e sofro.

Eu sou terça-feira.
De silêncio e fronte baixa.
De dores e alucinação.
De calor, como eu sinto calor.

O tempo foi embora,
A terça-feira foi substituída.
Agora é quarta-feira.

Eu paro, penso, não escrevo.
Arranco o papel e o amasso com fúria.
E durmo.

Thiago Lima

Direto de Vila Boa. Interessado em tudo que o mundo moderno desconhece. Aceito um café. Cum gaudium et Pace!