Santa Carona

Um olhar apaixonado

Peço desculpas aos leitores, mas para não deixar passar em branco, coloco este texto aqui.

Eu me lembro de vê-la toda bela, parecia uma deusa, uma musa. Seus belos cabelos eram longos e faziam voltas e voltas, nas quais me perdia e enrolava. Quase caí, ela me segurou, não com as mãos, belas mãos, dedos finos e unhas bem feitas. Usava um esmalte que não sei que cor era, nem se brilhava ou não, mas a deixava ainda mais linda. O que me segurou, como eu relatava, foram seus olhos. Claros, sei lá que cor, já desconfiastes, desgraçado leitor, que sou daltônico. A parte isso eram olhos pequenos e firmes. Suaves. Espelhavam o horizonte. Era toda bela! Pequena, sim, pequenina! Dulcíssima! Pequena doce princesa! Como pequena olhei todo o seu corpo como se desejasse cultuá-lo pelo resto dos tempos! Era branca! Uma cor leve e sonhadora! Pele lisa, na qual queria deitar meu corpo e descansar junto ao seu sem me preocupar com tempo! Era lindíssima! Todo esse tempo a olhei! Até que ela falou! Vá, ela falou! Se ficaste até agora, desocupado e curioso leitor, consegues imaginar o que me fez aquela voz! Tremi todo! Fiquei mole! Era doce e cortante! Era suave e bruta! Sei lá o que me ocorreu! Sei que não podia acabar! Não tinha o direito de terminar aquele momento! Eu o quis pelos séculos! Toda pintura, escultura, arte era nada! Eu encontrei a beleza ali em minha frente! Estava ali! Não reclames da minha descrição, talvez não goste de detalhes, contudo eu os dou todos, não é justo ocultar tanta beleza! Umas palavras vinheram até mim para respondê-la. Adivinhe? Não saíram! Ela sorriu! Ah pensei que aquele sorriso me arrancaria o coração! Aquilo era o sorriso de uma mulher? Aquilo não podia ser um sorriso apenas! Eram as portas da felicidade escancaradas e eu entrei!

Thiago Lima

Direto de Vila Boa. Interessado em tudo que o mundo moderno desconhece. Aceito um café. Cum gaudium et Pace!