Santa Carona

Não ignore questões políticas

O período eleitoral passou, os candidatos escolhidos já tomaram posse e, infelizmente, parte da população acha que não é mais necessário se preocupar, com tanta intensidade, com o cenário político. As pessoas pararam de fiscalizar seus candidatos e acompanham de forma superficial os projetos que aparecem em pauta – muitos dos quais decidem, de forma benéfica ou maléfica, o futuro do nosso país – através de uma mídia que nem sempre é fiel aos fatos. Essa postura adotada por parte da sociedade perante a política é incorreta e incoerente: quando você exige algo de alguém e confia que essa pessoa é capaz de fazê-la, é normal que você acompanhe o serviço desse indivíduo e observe se ele realmente procura honrar o cargo que lhe foi confiado.

Estamos passando por um período de transformação no nosso país, e é justamente por isso que este se torna um momento crítico, em que devemos zelar para que seja uma transformação aperfeiçoada. Muitos projetos importantes já estão sendo discutidos, e alguns deles são projetos bastante tendenciosos, disfarçados de boa ação e coerência. O correto seria que lêssemos os projetos na íntegra e fizéssemos com que a voz do povo fosse ouvida, já que vivemos em um Estado democrático de direito. Há muita coisa para ser mudada e ainda há muitos políticos ruins, que ignoram aquilo que a população realmente precisa. Por isso é necessária uma atenção redobrada quanto às decisões que podem ser tomadas. Tudo indica que os ditos “assuntos polêmicos” voltarão à pauta nos debates políticos, como o aborto – o Senado já desengavetou a PEC da Vida (PEC 29/2015) –, e projetos de mudanças na educação, por exemplo.

Mas por que esse tipo de assunto é chamado de polêmico? Porque a verdade é tão polêmica? Creio que nossa sociedade está se acostumando a conviver com a mentira, pois ela é mais “agradável” e favorece os maus desejos. Entretanto, poucos sabem que a mentira cobra um preço alto ao ser utilizada. Dá-se a entender que um tema é considerado “polêmico” quando trata de algo que uma determinada parcela da população não quer ouvir. Logo, fica quase que impossível construir um ambiente democrático, pois se não é possível ouvir um argumento, considerá-lo e discuti-lo com respeito, então uma maioria vai ser ignorada também. Então questiono: será mesmo que vivemos em uma total democracia? Ou tudo é apenas em um jogo de interesses?

É preciso pensar em uma política nova; aliás, pensar em uma política no seu verdadeiro sentido, onde seu objeto é o bem comum. O significado de bem comum é olhar com caridade para os anseios da população. Sabemos que é impossível agradar a todos – nem o próprio Jesus conseguiu –, mas pode-se atender àquilo que a maioria anseia. A política velha, uma política egoísta, trouxe enormes prejuízos para a sociedade, e não me refiro somente ao Brasil, mas também ao mundo. Porém, sabemos que a sociedade não está em decadência apenas pelo fato de se terem maus políticos, mas também porque a própria sociedade se deixou corromper. A sociedade passou a ignorar cegamente as virtudes, fazendo com que o individualismo, o egocentrismo e outros apegos da carne ditassem as regras. Isso gerou uma depravação moral da família e da sociedade.

Sabemos que o funcionamento normal de uma sociedade é algo complexo, porém é rico. Os problemas sociais existentes devem ser tratados de acordo com os métodos que a normalidade exige, dentro da concordância das aptidões diferentes, trazendo assim o resgate de valores. Pois, como dizia Gustavo Corção:

“Quanto mais infantil for a criança, e quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na feminilidade da mulher, na masculinidade do homem.”

O Brasil passou anos vivendo em um estado de subserviência às agendas culturais e políticas que ignoravam a voz da maioria da população, fazendo com que um espírito nefasto de fragmentação tomasse conta do Brasil. É preciso que nosso país resgate valores que se perderam, e que as pessoas voltem a conhecer e a admirar a vivência das virtudes, de modo a resgatar a unidade do país e alcançarmos aquele ideal expresso por Santo Agostinho:

“Nas coisas essenciais, a unidade. Nas coisas não essenciais, a liberdade. Em todas as coisas, a caridade.”

Pabline Gasparoti

Goiana, graduada em farmácia, catequista, gosto de uma boa leitura e sou apaixonada por Deus.