Santa Carona

A fantasia como estilo de vida

Peço desculpas aos meus leitores habituais pelo espaço de tempo sem conteúdo e peço mais um pouquinho de paciência, pois o tema deste texto é muito bom, mas desenvolvi pouco, asseguro-lhes que voltarei a tratá-lo em breve.

Uma indagação constante em nossa vida é: “O que é a realidade?” Muitas vezes achamos tudo um amontoado de coisas chatas e que a vida não pode se resumir em cumprir obrigações e descansar. Uma vida assim seria uma prisão, não teríamos o que há de mais divertido na vida, os sonhos, as fantasias.

Já adianto aqui que me dirijo às pessoas que são mais ligadas as coisas de espírito, as abstrações. Talvez a alguém mais sensorial isso pareça uma chatice sem tamanho.

Já desde as fases mais pueris de nossa história nos apegamos a imagens, coisas, seres criados na nossa imaginação e que tem por finalidade nos tirar da monotonia da vida. Ora, quando estávamos na sala de aula e a matéria parecia se levantar como um dragão, por que não entendíamos nada, prontamente forjavamos situações que nos arrancavam gargalhadas. Quem dirá que não imaginou em sua carteira soldados onde via os lápis e aviões nos apontadores? A borracha parecia um navio, tudo tão livre que poderia ter uma nova função numa nova aventura que aconteceria após o recreio, por exemplo.

E quando, nossos pais resolviam visitar a gente grande e não nos interessava nada naqueles assuntos de sei lá o que, logo vistoriavamos o local e extraiamos mais elementos que favoreciam a nossa jornada. Esconder-se para ser o militar, ou ter um livro em mãos para lecionar aos bonecos. Após um filme os personagens repensavam o final, nos convidavam para jantar, trocavamos ideias sobre atitudes do filme.

Quando ficávamos sozinhos já sentíamos medo, na escola já nos sentíamos pressionados, a ideia de aterrorizar-se durante algumas situações já está presente em nós. O que temos contra isso então? Se os dragões são reais, mas não soltam fogo, mas reprovações, broncas e coisas do tipo.

A abstração, por isso o imaginário deve ser bem estimulado, com músicas, filmes, leituras, histórias, observações etc, fornece-nos um maio bastante eficaz contra o malvado dragão, um são Jorge, que luta e golpea o temível inimigo. Nossos inimigos, no caso o dragão, encontra uma resistência nos cavaleiros que criamos para nos defender.

Essa luta que acontece na abstração é a luta da vida, os obstáculos existem e muitas vezes são duros de enfrentar, por isso devemos nos lembrar que quem decide o rumo da minha vida sou eu e não os medos. Não vivemos do que o mundo nos dispõe, mas do que conseguimos fazer do mundo.

As aventuras fantásticas que percorriamos na imaginação agora se materializa num passeio com os amigos ou familiares, torna-se tudo mais vivo, a alegria de se estar vivo e de se saber que caminhamos para um “felizes para sempre” contagia a nossa existência. Não é que não teremos problemas, mas é que o problema encontra em nós uma resistência. Tudo me será concedido se eu deter o dragão.

Outro ponto positivo é que sempre estaremos esperançosos em meio aos altos e baixos da vida. Essa esperança surge justamente da certeza que nós podemos fazer da vida um conto de fadas, essa não é uma ideia maluca ou ultrapassada, é antes uma moral que nos leva à felicidade, que é sobretudo atual, essa esperança alegre é o remédio para o mundo pálido.

É importante sonhar, contudo devemos passar também a ação, a nossa “Terra média” é onde estamos inseridos, com o choro dos filhos, a reclamação do cônjuge, o ritmo acelerado do trabalho, as contas vencendo, o estudo puxado. Aí é que devemos lutar para destruir o anel do poder, que aqui simboliza a maldade, as indiferenças, a falta de amor e as idolatrias.

Nesta jornada inesperada temos nossos amigos, não importa se são hobbits ou anões, o que importa é que devem estar alinhados com nossos objetivos, assim quando Frodo desanima, Sam o levanta, quando Sam erra, Gandalf o corrige. A vida é uma jornada inesperada e contagiante, que não podemos omitir a nossa participação.

Encerro esse pequeno texto, convidando essa quinada à abstração, à fantasia, aos sonhos. A realidade, como indagavamos no inicio é o produto da adição de fatores sensoriais as nossas mais intimas fantasias. Esse produto delicioso chama-se vida e queremos terminar felizes para sempre!

Thiago Lima

Direto de Vila Boa. Interessado em tudo que o mundo moderno desconhece. Aceito um café. Cum gaudium et Pace!